Traduzir

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Diga-me o teu nome e eu saberei quem és.

Desde a infância, minha audição era estimulada com brinquedos que faziam barulho ou bonecas falantes. Pouco a pouco, as "vozes dos brinquedos" foram substituídas pelas vozes das pessoas e foi assim que passei a reconhecer meus familiares e parentes.

Na fase escolar, mais vozes eram acrescentadas à minha mente: agudas, graves, altas ou baixas; cada uma com sua peculiaridade e tão única como uma impressão digital. Naturalmente, se formava um verdadeiro "Catálogo vocal", cujo objetivo era armazenar as vozes dos colegas de classe, professores e demais funcionários. Lembro de como todos ficavam felizes quando eu conseguia identificá-los pela voz! Durante o período acadêmico, o número de vozes triplicou. Era impossível memorizar todas! Então meu "catálogo vocal" ficou restrito ao grupo de amigos mais próximos e a alguns professores (os mais falantes, é claro!).

Hoje então, nem se fala! Com a quantidade de pessoas que encontro todos os dias, nem sempre vou identificar todo mundo apenas pela voz. Sabe quando você vai ao shopping e encontra aquele rosto conhecido, mas não consegue se lembrar de quem é? O mesmo pode acontecer comigo em relação à sua voz.

Uma cantora deficiente visual já dizia: "se quiser que eu te reconheça então me diga teu nome". Esta é realmente uma prática infalível porque pode evitar situações bem comuns do tipo : 1º. A pessoa conversar comigo, esquecer de se identificar e eu ficar me perguntando: "com quem será que eu conversei naquela hora?" 2º. Alguém começa a conversar e eu pergunto: "Mas, me diz: Qual o seu nome?" E a pessoa com tom triste / surpreso / indignado na voz: "Não acredito que você não me reconhece pela voz!" Isso merece aquele sorrisinho característico e a frase mais utilizada da década: "pois é... são tantas vozes que é difícil adivinhar!" 3º. Tem também uma situação clássica. Imagine a cena: estou caminhando com alguém ao lado, quando outra pessoa passa correndo por mim e diz: "Fabrícia!" eu respondo um "oiii!" e o meu acompanhante pergunta: "Quem é esse(a) que falou contigo?" Mas eu não sei dizer porque não reconheci a voz e a pessoa não se identificou.

Essas são apenas algumas das situações recorrentes que já vivenciei. Mas, ao me colocar no lugar do meu interlocutor, penso que talvez ele não ficaria muito feliz se soubesse que quando falou comigo não foi reconhecido. Por isso, fica a dica: Se você quiser que uma pessoa deficiente visual te reconheça, identifique-se.

Para terminar esta postagem com alegria, nada melhor do que ouvir música! Conheça a canção "Pra que", da Sara Bentes, a cantora deficiente visual que falei. Espero que goste!