Eu poderia ter ido estudar em uma escola só para deficientes visuais, com acessibilidade para ir e vir, com materiais didáticos em Braille. No entanto, minha família enxergou além e percebeu que o melhor era encarar a realidade: partir para uma escola regular, cheia de alunos que enxergam. Afinal, por mais que eu tivesse atendimento especializado, precisaria conviver com o mundo lá fora. Com isso não quero dizer que o atendimento especializado é ruim. Cada pessoa, de acordo com a sua necessidade, faz a sua escolha! Mas o fato é que em algum momento da vida será necessário sair do quadrado perfeito e enfrentar os obstáculos. A vida acadêmica e laboral, por exemplo, geralmente é cheia de inacessibilidades e desafios.
Vivemos em um mundo formado por uma diversidade de pessoas. Tem inacessibilidade, tem preconceito, tem exclusão. Se hoje ainda é assim, imagine no fim da década de 80, quando eram poucas as pessoas com deficiência em Alagoas que conseguiam garantir seu espaço nos bancos escolares. Prova disso foi a dificuldade imensa da minha família ao chegar nas escolas para fazer a matrícula. Ao explicar que a aluna seria uma criança cega, davam sempre a mesma resposta: "Desculpe, não aceitamos crianças cegas aqui porque infelizmente não temos experiência, nem materiais ou adaptações". Não adiantava insistir, não havia boa vontade nem sequer para tentar. Isso não aconteceu só em uma ou duas escolas, mas em várias!
Depois de muitas tentativas, um estabelecimento nos abriu as portas. Era uma escola pequena, que acolheu não só a mim, mas vários estudantes com deficiência auditiva ou com Síndrome de Down. Passei os oito primeiros anos lá. A escola não era especializada. Porém, havia o principal: boa vontade do corpo docente e dos coordenadores. Parte da equipe aprendeu o Braille para me auxiliar da melhor maneira durante o período de alfabetização. Eu não tinha materiais didáticos em Braille, mas tinha professores dedicados que liam os conteúdos para mim. Ensinavam tudo e eu era cobrada nas atividades escolares da mesma forma que os demais alunos. No contra-turno eu frequentava a escola especializada para aulas de reforço.
Lá eu também participava de aulas de dança, teatro e educação física. Lembro com muito carinho do professor, que proporcionou as melhores aulas de educação física que já tive! Ele mostrou que não é preciso mover montanhas para adaptar todas as atividades, de maneira que eu também pudesse participar. Era sempre a minha dupla. Corríamos junto com a turma, brincávamos de bola, de cabo de guerra e tudo o mais que ele inventasse. Eu nunca me senti excluída. Pelo contrário, essas aulas passaram a ser as melhores! Hoje, se me perguntam se a educação física pode ser acessível, eu digo que sim! Porque ele me ensinou isso.
Sou grata a todos que contribuíram com o início da minha vida escolar. Aprendi que no mundo de inacessibilidade, exclusão e preconceito, há também muita gente disposta a oferecer o seu melhor em prol do nosso desenvolvimento.
Sigamos em frente com alegria e confiança em um mundo cada vez melhor!
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018
segunda-feira, 18 de junho de 2018
O Braille aliado à tecnologia.
Semana passada escrevi sobre cardápios em Braille e alguns de vocês perguntaram: Braille, pra quê? Se temos tantas tecnologias hoje em dia?
É natural. Quando surge algo novo, muita gente costuma achar que o antigo deve ser extinto ou substituído. Só que nem sempre deve ser assim!
O Braille, por exemplo,pode ser integrado à tecnologia e complementá-la. Vejamos alguns exemplos.
No Elevador:
Você já deve ter visto, em boa parte dos elevadores, que há pontos em relevo ao lado de cada botão. São os números dos andares escritos em Braille. Há também identificação no botão de alarme, de abertura e de fechamento da porta. Antes do Braille, a pessoa cega talvez precisasse contar os botões para saber em qual apertar, ou pedir ajuda a alguém.
Você também já deve ter visto que alguns elevadores são falantes. Isso é ótimo! Todos eles deveriam ter este recurso, afinal, caso a pessoa esteja sozinha, é importante saber em que andar está passando e se ele está subindo ou descendo. Porém, se o elevador falar e não tiver Braille ao lado dos botões, pode ficar difícil para ela saber qual deve pressionar.
No Celular:
Já contei aqui sobre um recurso do iPhone chamado Braille na Tela. Antes dele os usuários digitavam catando as letras no teclado. Era preciso passar o dedo pelas linhas até chegar à letra desejada e só então retirar o dedo. Imagina você ter que escrever uma palavra grande utilizando esse método! Cansativo, não é? Por isso muitas pessoas preferiam enviar mensagem de áudio ou usar o ditado. Só que o ditado nem sempre entende o que a gente dita e frequentemente é necessário corrigir uma ou outra palavra. Eis que surge o Braille na tela e o celular se transforma em uma máquina braille. Funciona assim: você segura nas extremidades do aparelho, com a tela apontada para frente. Nessa posição, os dedos indicador, médio e anelar de cada mão estão posicionados na tela. Cada dedo é responsável por um ponto Braille. (Com seis pontos é possível fazer cerca de 60 caracteres.) Caso queira fazer a letra "l", por exemplo, sabendo que o "l" é feito com os pontos 1, 2 e 3, basta dar um leve toque com os três dedos da mão esquerda. Assim, fica muito rápido escrever qualquer texto no aparelho. Não fica cansativo, não gasta com papel e quando você clica em "enviar", o conteúdo é enviado normalmente. Esse recurso serve apenas para facilitar a sua escrita e dar agilidade.
Os celulares com sistema Android também possuem apps similares ao Braille na Tela.
No Computador:
Algo semelhante acontece com a escrita de partituras. Um músico cego, por exemplo, pode utilizar o computador para escrever, utilizando o código Braille. Existem editores que são acessíveis e permitem que o usuário não apenas escreva, mas também leia, imprima ou reproduza a partitura. Poder ouvir as notas de uma música é muito útil durante os estudos!
O computador também é um forte aliado na hora de preparar materiais pedagógicos: livros, revistas, desenhos que depois serão impressos em impressoras Braille. Existem programas como o "Braille Fácil" que auxiliam nesses processos.
Com isso não pretendo esgotar o assunto, mas demonstrar que em alguns aspectos o Braille e a tecnologia podem andar juntos e beneficiar muitas pessoas. É importante conhecer e usar as ferramentas de acordo com a nossa necessidade, a fim de aproveitar o que há de melhor em cada uma.
É natural. Quando surge algo novo, muita gente costuma achar que o antigo deve ser extinto ou substituído. Só que nem sempre deve ser assim!
O Braille, por exemplo,pode ser integrado à tecnologia e complementá-la. Vejamos alguns exemplos.
No Elevador:
Você já deve ter visto, em boa parte dos elevadores, que há pontos em relevo ao lado de cada botão. São os números dos andares escritos em Braille. Há também identificação no botão de alarme, de abertura e de fechamento da porta. Antes do Braille, a pessoa cega talvez precisasse contar os botões para saber em qual apertar, ou pedir ajuda a alguém.
Você também já deve ter visto que alguns elevadores são falantes. Isso é ótimo! Todos eles deveriam ter este recurso, afinal, caso a pessoa esteja sozinha, é importante saber em que andar está passando e se ele está subindo ou descendo. Porém, se o elevador falar e não tiver Braille ao lado dos botões, pode ficar difícil para ela saber qual deve pressionar.
No Celular:
Já contei aqui sobre um recurso do iPhone chamado Braille na Tela. Antes dele os usuários digitavam catando as letras no teclado. Era preciso passar o dedo pelas linhas até chegar à letra desejada e só então retirar o dedo. Imagina você ter que escrever uma palavra grande utilizando esse método! Cansativo, não é? Por isso muitas pessoas preferiam enviar mensagem de áudio ou usar o ditado. Só que o ditado nem sempre entende o que a gente dita e frequentemente é necessário corrigir uma ou outra palavra. Eis que surge o Braille na tela e o celular se transforma em uma máquina braille. Funciona assim: você segura nas extremidades do aparelho, com a tela apontada para frente. Nessa posição, os dedos indicador, médio e anelar de cada mão estão posicionados na tela. Cada dedo é responsável por um ponto Braille. (Com seis pontos é possível fazer cerca de 60 caracteres.) Caso queira fazer a letra "l", por exemplo, sabendo que o "l" é feito com os pontos 1, 2 e 3, basta dar um leve toque com os três dedos da mão esquerda. Assim, fica muito rápido escrever qualquer texto no aparelho. Não fica cansativo, não gasta com papel e quando você clica em "enviar", o conteúdo é enviado normalmente. Esse recurso serve apenas para facilitar a sua escrita e dar agilidade.
Os celulares com sistema Android também possuem apps similares ao Braille na Tela.
No Computador:
Algo semelhante acontece com a escrita de partituras. Um músico cego, por exemplo, pode utilizar o computador para escrever, utilizando o código Braille. Existem editores que são acessíveis e permitem que o usuário não apenas escreva, mas também leia, imprima ou reproduza a partitura. Poder ouvir as notas de uma música é muito útil durante os estudos!
O computador também é um forte aliado na hora de preparar materiais pedagógicos: livros, revistas, desenhos que depois serão impressos em impressoras Braille. Existem programas como o "Braille Fácil" que auxiliam nesses processos.
Com isso não pretendo esgotar o assunto, mas demonstrar que em alguns aspectos o Braille e a tecnologia podem andar juntos e beneficiar muitas pessoas. É importante conhecer e usar as ferramentas de acordo com a nossa necessidade, a fim de aproveitar o que há de melhor em cada uma.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Tem cardápio em Braille?
Essa pergunta virou rotina sempre que vou a um restaurante ou lanchonete. Minha ida mais recente foi sexta à noite, em um local que fica na parte alta de Maceió. Entrei, subi as escadas e me sentei confortavelmente à mesa. Eu já sabia de cor o meu pedido. Entretanto, mal o garçom apareceu...
-Boa noite, tem cardápio em Braille?
Ele disse que sim e foi buscar um caderno enorme! Com dezenas de páginas frente e verso. Já fui ao mesmo restaurante algumas vezes, mas aquela era a primeira que eu tinha a oportunidade de explorar o cardápio. Fiquei boa parte do tempo folheando. Li um pouco da história de lá, contada de um modo bem informal como se estivéssemos em uma conversa entre amigos. Depois, passei pelas entradas, pelas diversas opções de pratos, sobremesas e bebidas. Descobri um monte de pratos que eu sequer sabia que eram servidos lá! Quando devolvi o cardápio, sugeri a inclusão de um sumário para facilitar a busca. Afinal são muitas páginas e é importante que a pessoa cega tenha a mesma agilidade de quem enxerga, na hora de olhar o cardápio para fazer o pedido.
Histórias como essa tem se repetido com uma certa frequência. Isso porque de uns anos pra cá eu tenho encontrado com mais facilidade os cardápios em Braille nos estabelecimentos de Maceió. Uns estão mais completos, outros menos. Dentre estes, alguns são lamentáveis. Deu pra sentir que foram feitos apenas para o restaurante não ser multado. Sabe quando você pensa: “Ninguém vai ler isso mesmo!” E faz de qualquer jeito? Já li cardápio com apenas uma página e com dezenas; com preço e sem preço. Há os que cumpriram o objetivo e os que só serviram pra ocupar espaço na mesa.
Mas estamos muito longe dos 100%! Ainda há vários estabelecimentos sem o cardápio. Quando me dizem que infelizmente não tem, costumo falar sobre a importância do cardápio acessível. Aí o dono / gerente vem falar comigo para pedir desculpas e explicar que ainda estão providenciando ou que é a primeira vez que uma pessoa cega chega por lá. Geralmente pede meu contato. Eu sempre acho que alguém irá ligar, dizendo: “olha, precisamos da sua ajuda para produzir o nosso cardápio”. Ou: “Nossa lanchonete agora tem cardápio em Braille. Venha conhecer!” Mas... nunca tive retorno.
É lamentável perceber que em muitos casos a intenção é apenas cumprir uma obrigatoriedade, a Lei Ordinária 6.198 (27/09/2000) e as demais leis estaduais. Parece que alguns empresários não enxergam o valor agregado que a acessibilidade proporciona ao estabelecimento. Não veem que um simples gesto como o de oferecer um cardápio em Braille faz com que as pessoas cegas fiquem felizes por recebê-lo na mesa e ler com autonomia, como fazem os demais frequentadores. Isso gera divulgação. Gera uma experiência diferenciada e inesquecível. Certamente o número de cardápios em Braille aumentará, quanto maior for a fiscalização e o número de cegos leitores de Braille que o solicitarem nos bares, restaurantes, lanchonetes da capital ou do interior.
Claro que há alternativas! Graças à tecnologia, há locais que disponibilizam os cardápios em formato digital no site ou em aplicativos de pedidos de comida. Isso requer que o cliente esteja com acesso à Internet e saiba utilizar o celular com relativa facilidade para usufruir das vantagens dos aplicativos. Também é possível conhecer o conteúdo do cardápio digitalizando com o celular, embora não fique sempre perfeito. É importante que os clientes tenham opções. Para mim, o Braille é o que mais me aproxima da igualdade de condições com os demais. Isso, porém, é uma questão de escolha. Seja em Braille, seja no formato digital, é imprescindível que haja autonomia na hora de consultar as informações.
-Boa noite, tem cardápio em Braille?
Ele disse que sim e foi buscar um caderno enorme! Com dezenas de páginas frente e verso. Já fui ao mesmo restaurante algumas vezes, mas aquela era a primeira que eu tinha a oportunidade de explorar o cardápio. Fiquei boa parte do tempo folheando. Li um pouco da história de lá, contada de um modo bem informal como se estivéssemos em uma conversa entre amigos. Depois, passei pelas entradas, pelas diversas opções de pratos, sobremesas e bebidas. Descobri um monte de pratos que eu sequer sabia que eram servidos lá! Quando devolvi o cardápio, sugeri a inclusão de um sumário para facilitar a busca. Afinal são muitas páginas e é importante que a pessoa cega tenha a mesma agilidade de quem enxerga, na hora de olhar o cardápio para fazer o pedido.
Histórias como essa tem se repetido com uma certa frequência. Isso porque de uns anos pra cá eu tenho encontrado com mais facilidade os cardápios em Braille nos estabelecimentos de Maceió. Uns estão mais completos, outros menos. Dentre estes, alguns são lamentáveis. Deu pra sentir que foram feitos apenas para o restaurante não ser multado. Sabe quando você pensa: “Ninguém vai ler isso mesmo!” E faz de qualquer jeito? Já li cardápio com apenas uma página e com dezenas; com preço e sem preço. Há os que cumpriram o objetivo e os que só serviram pra ocupar espaço na mesa.
Mas estamos muito longe dos 100%! Ainda há vários estabelecimentos sem o cardápio. Quando me dizem que infelizmente não tem, costumo falar sobre a importância do cardápio acessível. Aí o dono / gerente vem falar comigo para pedir desculpas e explicar que ainda estão providenciando ou que é a primeira vez que uma pessoa cega chega por lá. Geralmente pede meu contato. Eu sempre acho que alguém irá ligar, dizendo: “olha, precisamos da sua ajuda para produzir o nosso cardápio”. Ou: “Nossa lanchonete agora tem cardápio em Braille. Venha conhecer!” Mas... nunca tive retorno.
É lamentável perceber que em muitos casos a intenção é apenas cumprir uma obrigatoriedade, a Lei Ordinária 6.198 (27/09/2000) e as demais leis estaduais. Parece que alguns empresários não enxergam o valor agregado que a acessibilidade proporciona ao estabelecimento. Não veem que um simples gesto como o de oferecer um cardápio em Braille faz com que as pessoas cegas fiquem felizes por recebê-lo na mesa e ler com autonomia, como fazem os demais frequentadores. Isso gera divulgação. Gera uma experiência diferenciada e inesquecível. Certamente o número de cardápios em Braille aumentará, quanto maior for a fiscalização e o número de cegos leitores de Braille que o solicitarem nos bares, restaurantes, lanchonetes da capital ou do interior.
Claro que há alternativas! Graças à tecnologia, há locais que disponibilizam os cardápios em formato digital no site ou em aplicativos de pedidos de comida. Isso requer que o cliente esteja com acesso à Internet e saiba utilizar o celular com relativa facilidade para usufruir das vantagens dos aplicativos. Também é possível conhecer o conteúdo do cardápio digitalizando com o celular, embora não fique sempre perfeito. É importante que os clientes tenham opções. Para mim, o Braille é o que mais me aproxima da igualdade de condições com os demais. Isso, porém, é uma questão de escolha. Seja em Braille, seja no formato digital, é imprescindível que haja autonomia na hora de consultar as informações.
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Maquineta de cartão inacessível.
Você passaria a senha do seu cartão de crédito para um desconhecido?
E se você estivesse no meio de estranhos, falaria sua senha em voz alta para alguém digitar?
Quem inventou as famigeradas “Moderninhas”, da PagSeguro, não pensou nos consumidores cegos e não percebeu que a modernidade deve andar de mãos dadas com a tecnologia acessível.
A “Moderninha”, retrógrada, não tem o mínimo de acessibilidade. Nas que tive o desprazer de encontrar por aí, não vi botões físicos, não vi entrada para fone de ouvido. Só vi uma tela touch. Por onde anda a acessibilidade, que tanto beneficia os cegos mundo à fora? Por que não implementar sistema de som e fone de ouvido? Se as máquinas convencionais são acessíveis por terem botões físicos e o pontinho no número 5, qual a necessidade de incluir uma “moderna” inacessível? Já diz o ditado: “em time que está ganhando, não se mexe”.
Há dois anos a PagSeguro informou estar ciente do problema e que tem projetos para resolver essa questão. O fato é que esta maquineta continua circulando no mercado e tornando a vida do consumidor cego bem constrangedora na hora do pagamento.
Semana retrasada aconteceu com minha amiga em um salão de beleza aqui de Maceió. Ela agendou, usufruiu dos serviços e na hora de pagar... deu de cara com a “Moderninha”.
Foi impossível não lembrar das vezes que eu também tive que passar por esse tipo de situação, principalmente no que se refere a serviços.
É preciso estar preparado(a) para pagar à vista. Mas não é justo, tendo em vista que os demais consumidores têm a possibilidade de parcelar, concorda?
A “Moderninha” pode estar no balcão de qualquer estabelecimento da cidade. E nós, cegos, em tempos modernos, ainda precisamos lidar com esse tipo de pesadelo.
Divulgar é preciso!
E se você estivesse no meio de estranhos, falaria sua senha em voz alta para alguém digitar?
Quem inventou as famigeradas “Moderninhas”, da PagSeguro, não pensou nos consumidores cegos e não percebeu que a modernidade deve andar de mãos dadas com a tecnologia acessível.
A “Moderninha”, retrógrada, não tem o mínimo de acessibilidade. Nas que tive o desprazer de encontrar por aí, não vi botões físicos, não vi entrada para fone de ouvido. Só vi uma tela touch. Por onde anda a acessibilidade, que tanto beneficia os cegos mundo à fora? Por que não implementar sistema de som e fone de ouvido? Se as máquinas convencionais são acessíveis por terem botões físicos e o pontinho no número 5, qual a necessidade de incluir uma “moderna” inacessível? Já diz o ditado: “em time que está ganhando, não se mexe”.
Há dois anos a PagSeguro informou estar ciente do problema e que tem projetos para resolver essa questão. O fato é que esta maquineta continua circulando no mercado e tornando a vida do consumidor cego bem constrangedora na hora do pagamento.
Semana retrasada aconteceu com minha amiga em um salão de beleza aqui de Maceió. Ela agendou, usufruiu dos serviços e na hora de pagar... deu de cara com a “Moderninha”.
Foi impossível não lembrar das vezes que eu também tive que passar por esse tipo de situação, principalmente no que se refere a serviços.
É preciso estar preparado(a) para pagar à vista. Mas não é justo, tendo em vista que os demais consumidores têm a possibilidade de parcelar, concorda?
A “Moderninha” pode estar no balcão de qualquer estabelecimento da cidade. E nós, cegos, em tempos modernos, ainda precisamos lidar com esse tipo de pesadelo.
Divulgar é preciso!
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Anjos no caminho.
Há algumas semanas, uma pessoa se admirou por uma coisa banal que eu estava fazendo: caminhando nas ruas do Centro do Rio de Janeiro, em direção ao Metrô. Ela se ofereceu para ajudar a chegar lá, visto que ia na mesma direção. Enquanto atravessávamos a rua, ela me contou que fica admirada com a coragem dos deficientes visuais, que se “aventuram” pela cidade, em meio a tantos obstáculos e tanta gente má. Isso me fez pensar nos anjos do caminho.
Diante de um cenário de violência em que se sobressai o pior lado do ser humano, é possível não enxergá-los na multidão. Eles estão na praia, no shopping, em casa, no trabalho, nas ruas... em todos os lugares. Surgem de repente, do nada, na hora que mais precisamos. Não importa a cor, o sexo ou a classe social. O importante é o que têm em comum: a vontade de ser útil sem pedir nada em troca, sem o dever da obrigatoriedade.
Uns chegam sem pedir licença, não se identificam, querem logo fazer algo. São ansiosos. Há quem não entenda toda essa impulsividade, pois nem sempre precisamos de ajuda.
Outros, mais tranquilos, se apresentam, puxam assunto e esbanjam simpatia. No breve tempo de contato, parece que já nos conhecemos a séculos!
Há também os inexperientes: “marinheiros de primeira viagem”. Geralmente são mais tímidos e inseguros. Querem ajudar, mas não sabem como. Eis aí uma grande oportunidade de transmitir conhecimento.
São pessoas boas, que mesmo no corre corre do dia a dia, tomam a iniciativa de nos estender a mão e depois seguem seu caminho. Talvez elas não imaginem o quão importante foi a ajuda ofertada! Essa certeza de que nunca estamos sós é o que me encoraja a seguir adiante,sempre confiante no que há de melhor nas pessoas. Quanto mais ajuda recebemos, mais podemos retribuir.
Com tudo isso, aprendi que Todos nós podemos ser anjos no caminho de alguém.
Gratidão a todos os que passaram e passam em meu caminho deixando boas histórias e lembranças.
A gente se vê por aí!
Diante de um cenário de violência em que se sobressai o pior lado do ser humano, é possível não enxergá-los na multidão. Eles estão na praia, no shopping, em casa, no trabalho, nas ruas... em todos os lugares. Surgem de repente, do nada, na hora que mais precisamos. Não importa a cor, o sexo ou a classe social. O importante é o que têm em comum: a vontade de ser útil sem pedir nada em troca, sem o dever da obrigatoriedade.
Uns chegam sem pedir licença, não se identificam, querem logo fazer algo. São ansiosos. Há quem não entenda toda essa impulsividade, pois nem sempre precisamos de ajuda.
Outros, mais tranquilos, se apresentam, puxam assunto e esbanjam simpatia. No breve tempo de contato, parece que já nos conhecemos a séculos!
Há também os inexperientes: “marinheiros de primeira viagem”. Geralmente são mais tímidos e inseguros. Querem ajudar, mas não sabem como. Eis aí uma grande oportunidade de transmitir conhecimento.
São pessoas boas, que mesmo no corre corre do dia a dia, tomam a iniciativa de nos estender a mão e depois seguem seu caminho. Talvez elas não imaginem o quão importante foi a ajuda ofertada! Essa certeza de que nunca estamos sós é o que me encoraja a seguir adiante,sempre confiante no que há de melhor nas pessoas. Quanto mais ajuda recebemos, mais podemos retribuir.
Com tudo isso, aprendi que Todos nós podemos ser anjos no caminho de alguém.
Gratidão a todos os que passaram e passam em meu caminho deixando boas histórias e lembranças.
A gente se vê por aí!
domingo, 7 de agosto de 2016
Estímulo Visual.
De acordo com a medicina, não enxergo nada. Nos meus tempos de criança eu achava um absurdo essa constatação. Morria de raiva do médico quando ouvia ele falar isso aos meus familiares ou quando liam para mim o laudo médico. Eu sempre me perguntava: como pode isso ser verdade, se eu vejo o claro e sei quando está escuro? O doutor fala isso porque não sabe o que eu vejo!
Eu sabia quando a luz estava acesa ou apagada; via a luz do sol, de lanterna ou de vela; sabia quando o tempo estava nublado pois a luz diminuía como no entardecer; via o reflexo da luz do sol na água do mar; enxergava vultos grandes como os de carros, caminhões ou ônibus.
Durante um tempo fiz aulas de estimulação visual para tentar manter o resíduo. A professora apagava todas as luzes da sala, acendia uma lanterna e se escondia. Eu tinha que encontrá-la seguindo a luz da lanterna. Fácil!
Outra atividade divertida era acertar as cores de acordo com a luz que incidia no papel posto em uma luminária. Dependendo da cor do papel, a intensidade da luz diminuía ou aumentava. Era difícil acertar, mas às vezes eu conseguia!
Sempre tive percepção de luz e de sombra. Hoje em dia essa percepção diminuiu consideravelmente, mas ainda consigo perceber quando o dia está claro ou escuro, luzes fortes e vultos de automóveis. Gosto de ver o que ainda vejo, mas se o resíduo diminuir completamente não haverá problema pois isso não afeta o meu dia a dia. Para você ter uma ideia, deixei de ver luz de vela e nem percebi! Um belo dia olhei pra vela e cadê a luz? Pensei que estava apagada e por pouco não queimei a mão. Que susto!
É muito importante estimular o resíduo visual, mas se acontecer de ele diminuir, podemos utilizar a tecnologia a nosso favor para auxiliar. O Facebook, por exemplo, é um forte aliado! Logo pela manhã, se o tempo estiver chuvoso, recebo o aviso: “Não se molhe. O dia vai ser de chuva!” A mesma coisa quando a previsão é de sol. Ele ainda me aconselha a aproveitar o sol, que está lindo!
Ele nem sempre acerta, afinal é uma previsão, mas tá valendo!
O importante é ter vários recursos à disposição para facilitar a nossa vida.
Eu sabia quando a luz estava acesa ou apagada; via a luz do sol, de lanterna ou de vela; sabia quando o tempo estava nublado pois a luz diminuía como no entardecer; via o reflexo da luz do sol na água do mar; enxergava vultos grandes como os de carros, caminhões ou ônibus.
Durante um tempo fiz aulas de estimulação visual para tentar manter o resíduo. A professora apagava todas as luzes da sala, acendia uma lanterna e se escondia. Eu tinha que encontrá-la seguindo a luz da lanterna. Fácil!
Outra atividade divertida era acertar as cores de acordo com a luz que incidia no papel posto em uma luminária. Dependendo da cor do papel, a intensidade da luz diminuía ou aumentava. Era difícil acertar, mas às vezes eu conseguia!
Sempre tive percepção de luz e de sombra. Hoje em dia essa percepção diminuiu consideravelmente, mas ainda consigo perceber quando o dia está claro ou escuro, luzes fortes e vultos de automóveis. Gosto de ver o que ainda vejo, mas se o resíduo diminuir completamente não haverá problema pois isso não afeta o meu dia a dia. Para você ter uma ideia, deixei de ver luz de vela e nem percebi! Um belo dia olhei pra vela e cadê a luz? Pensei que estava apagada e por pouco não queimei a mão. Que susto!
É muito importante estimular o resíduo visual, mas se acontecer de ele diminuir, podemos utilizar a tecnologia a nosso favor para auxiliar. O Facebook, por exemplo, é um forte aliado! Logo pela manhã, se o tempo estiver chuvoso, recebo o aviso: “Não se molhe. O dia vai ser de chuva!” A mesma coisa quando a previsão é de sol. Ele ainda me aconselha a aproveitar o sol, que está lindo!
Ele nem sempre acerta, afinal é uma previsão, mas tá valendo!
O importante é ter vários recursos à disposição para facilitar a nossa vida.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
iPhone: sinônimo de acessibilidade!
Muita gente me pergunta como faço para utilizar o celular.
Alguns amigos cegos, que são usuários de iPhone, não usam nem metade dos recursos disponíveis.
Outros relutam em adquirir o aparelho por insegurança e se perguntam: "Será que eu vou me adaptar?"
Veja como um iPhone pode auxiliar pessoas com deficiência visual no que se refere à acessibilidade.
O encantamento começa na compra. Ao abrir a caixa e ligá-lo, um simples comando ativa o Voice Over e a partir de então, todas as informações presentes na tela são faladas. Assim, o usuário pode decidir se quer configurar seu próprio produto ou se quer que alguém faça a configuração e já lhe entregue pronto para usar. O iPhone foi desenvolvido para ser acessível de fábrica.
Assim que o Voice Over é ativado, o usuário pode utilizar todos os recursos do celular com independência: interagir em redes sociais; enviar e receber e-mail ou SMS; navegar na WEB com facilidade; assistir vídeos; fazer anotações; ler livros, revistas e jornais; ouvir rádios; utilizar GPS...
É possível, ainda, ativar o ditado e a Siri (assistente pessoal) para realizar algumas ações via comandos de voz. Isso possibilita uma certa agilidade e mais produtividade. Há também o "Braille via Tela", um recurso desenvolvido para quem sabe escrever em Braille. Ele transforma a tela do celular em um teclado Braille, o que triplica a velocidade da nossa digitação. E digitar rápido, em algumas ocasiões, é imprescindível!
Além disso, existem diversos aplicativos que fornecem acessibilidade a conteúdos visuais. Veja, a seguir, Os meus favoritos!
Câmera - nativo do iPhone. Permite o uso ofline. Na hora de tirar a foto, o Voice Over detecta quando há um ou mais rostos e informa ao usuário se o rosto está centralizado, a direita, a esquerda...
Fotos - nativo do iPhone. Permite o uso ofline. Contém todas as fotos tiradas. O Voice Over informa se a foto é vertical ou horizontal, se ficou nítida, bem iluminada, brilhante, desfocada.
TapTapSee - Gratuito. Funciona apenas online. Faz descrições do que é fotografado. Ao fotografar pessoas ele pode descrever se é homem ou mulher, como está vestido(a), qual a cor da roupa e dos cabelos...
Já se for objetos, ele pode informar o nome, a cor, o conteúdo do rótulo (se houver).
Também já tirei fotos de paisagens e pude "ver" a vista de uma janela, a natureza ou o mar, por exemplo.
A quantidade de informações descritas depende da distância entre a câmera e o que será fotografado.
NewReader - gratuito. Funciona apenas online. Ao tirar a foto do código de barras de um produto, ele faz a pesquisa desse código na Internet e apresenta as informações contidas nele.
Movie Reading - gratuito. Permite o uso ofline. Armazena áudio-descrições de filmes ou documentários.
LookTel Money Reader - pago. Permite o uso ofline. Trata-se de um leitor de dinheiro. Informa o valor da cédula quando a câmera é apontada para ela.
Uma alternativa gratuita é o app Dinheiro Brasileiro.
Light Detector - pago. Permite o uso ofline. Quer saber se tem luz acesa no ambiente? O Light Detector ajuda! Som agudo = ambiente iluminado. Som grave = ambiente escuro.
Goggles - gratuito. Funciona apenas online. Faz uma descrição sucinta do que é fotografado ou mostrado. Bem útil para ler rótulos ou a tela do computador (quando o leitor de tela não funciona e precisamos saber o que está escrito). É mais rápido que o TapTapSee.
knfbReader - pago. Permite o uso ofline. Um ótimo programa para digitalizar conteúdos diretamente com o celular. O usuário fotografa panfletos, cardápios, revistas etc e o aplicativo informa o conteúdo.
Gostou da lista? Tem sugestões de aplicativos? Comente!
Alguns amigos cegos, que são usuários de iPhone, não usam nem metade dos recursos disponíveis.
Outros relutam em adquirir o aparelho por insegurança e se perguntam: "Será que eu vou me adaptar?"
Veja como um iPhone pode auxiliar pessoas com deficiência visual no que se refere à acessibilidade.
O encantamento começa na compra. Ao abrir a caixa e ligá-lo, um simples comando ativa o Voice Over e a partir de então, todas as informações presentes na tela são faladas. Assim, o usuário pode decidir se quer configurar seu próprio produto ou se quer que alguém faça a configuração e já lhe entregue pronto para usar. O iPhone foi desenvolvido para ser acessível de fábrica.
Assim que o Voice Over é ativado, o usuário pode utilizar todos os recursos do celular com independência: interagir em redes sociais; enviar e receber e-mail ou SMS; navegar na WEB com facilidade; assistir vídeos; fazer anotações; ler livros, revistas e jornais; ouvir rádios; utilizar GPS...
É possível, ainda, ativar o ditado e a Siri (assistente pessoal) para realizar algumas ações via comandos de voz. Isso possibilita uma certa agilidade e mais produtividade. Há também o "Braille via Tela", um recurso desenvolvido para quem sabe escrever em Braille. Ele transforma a tela do celular em um teclado Braille, o que triplica a velocidade da nossa digitação. E digitar rápido, em algumas ocasiões, é imprescindível!
Além disso, existem diversos aplicativos que fornecem acessibilidade a conteúdos visuais. Veja, a seguir, Os meus favoritos!
Já se for objetos, ele pode informar o nome, a cor, o conteúdo do rótulo (se houver).
Também já tirei fotos de paisagens e pude "ver" a vista de uma janela, a natureza ou o mar, por exemplo.
A quantidade de informações descritas depende da distância entre a câmera e o que será fotografado.
Uma alternativa gratuita é o app Dinheiro Brasileiro.
Gostou da lista? Tem sugestões de aplicativos? Comente!
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Inacessibilidade em Shopping
Momentos ruins também são inesquecíveis, também nos ensinam e também precisam ser compartilhados para que não se repitam. Momentos ruins nem sempre são bons para serem comentados, pois expõem os envolvidos e nos fazem reviver situações tristes.
Porém, um ano depois do acontecido, decidi expor um desses momentos inéditos e raros em minha vida, que poucos souberam. Não para falar mal do estabelecimento, mas para suscitar em todos nós a reflexão. O que podemos fazer para mudar? Como cada um pode contribuir para facilitar o direito de ir e vir de todas as pessoas independente de deficiência? Será que valeria a pena investir em piso tátil? Investir em treinamento dos funcionários?
Decidi contar isso também porque ouvi, há duas semanas, que uma cega do RJ queria bater perna no shopping e o segurança não quis acompanhá-la. Então pensei: e se eu quiser fazer o mesmo, tenho que depender de quem enxerga? E se a pessoa não quiser ir eu tenho que deixar de ir?
O fato aconteceu no ano passado, em um shopping de Maceió. Era dia dos namorados. Meu plano: chegar mais cedo, passar em duas lojas e depois encontrar meu esposo na praça de alimentação. Eu tinha a intenção de comprar uns mimos para fazer uma surpresa para ele. Mas acredite: quem ficou surpresa fui eu, ao constatar o despreparo dos funcionários na hora que viram uma cega lá sozinha precisando ir em três locais. De nada adiantou eu falar que já havia feito isso antes, em outros shoppings da cidade. A saga foi assim:
1. O taxista que me deixou no shopping pediu para que algum segurança me levasse na loja 1 e ele não deu a mínima importância. Olha que a loja 1 era no mesmo piso! Indignado, o taxista me deixou lá.
2. Ao fazer a primeira compra, pedi a funcionária da loja para me conduzir à saída e chamar um segurança. Procedimento que sempre fiz e deu certo em outros shoppings. Porém, o segurança do local me explicou que não poderia me levar na loja 2, eu teria que ir ao SAC solicitar o auxílio de atendimento especial. A mesma funcionária me levou até lá.
3. No SAC, expliquei que precisava ir em uma loja e na praça de alimentação, bastava designar um funcionário para me auxiliar. Que eu já havia feito isso antes em outros shoppings e nunca tive problema! Nem sequer precisei ir a ao SAC. Ligaram pra um e pra outro, mas ninguém estava disponível. Fui informada que havia apenas um segurança por piso e que ele não podia sair do local para me levar a pisos superiores nem à escada rolante. Eu me perguntei: será que realmente estamos seguros nesse shopping?
Insisti: E agora, como vamos resolver? Eu vim sozinha e preciso fazer compras. Se o shopping não tem piso tátil, tem a obrigação de fornecer o mínimo de acessibilidade indicando alguém para me auxiliar, concorda? Como vocês fazem quando um cego vem sozinho pra cá?
A única resposta que tive foi para aguardar mais um pouco. Depois de esperar vários minutos, decidi ir embora. Mas então, a moça que havia me levado ao SAC, (eu nem sabia que continuava lá), se ofereceu para me conduzir à loja 2 e à praça de alimentação. A atendente do SAC ainda tentou se desculpar dizendo que não havia funcionários capacitados para atender a minha solicitação. Estava claro que ela não sabia que pra esse tipo de coisa não é preciso capacitação alguma, apenas de um “olho amigo”.
Cinco minutos depois, comprei os produtos que queria e fui encontrar meu esposo. Fiquei indignada, nem tinha mais clima para comemoração!
Após o almoço, Como ir embora?
Decidimos procurar a saída da praça com os nossos próprios ouvidos e bengalas. Nessa hora, Alguns clientes se ofereceram para nos ajudar.
Hoje, mais de um ano após esse lamentável acontecimento, eu me pergunto: quanto cegos foram ao shopping desde aquele dia? Será que já tem mais de um segurança em cada piso? Será que outros cegos que passaram por situações semelhantes também se manifestaram para que a gerência soubesse que é importante fornecer treinamentos e pensassem na acessibilidade?
Se algo mudou no estabelecimento, só indo pra saber! Desde aquele dia, nunca mais fui lá sozinha. Dou preferência à concorrência, que tem feito um trabalho digno de aplausos. Mas tenho consciência que será preciso voltar e ver o que acontece.
Nós, pessoas cegas independentes, temos obrigação de esclarecer e lutar para que outros cegos não passem pelos mesmos problemas que nós. Tenho consciência que precisamos vestir a camisa de locais inacessíveis para ensiná-los o que é acessibilidade, mostrar que existe um público consumidor com deficiência e que é preciso enxergá-lo.
Mesmo que mais nenhum cego tenha se aventurado sozinho pelo shopping, isso pode acontecer hoje, amanhã ou depois. E é preciso que as pessoas estejam preparadas para auxiliar todos os consumidores da melhor maneira possível.
Porém, um ano depois do acontecido, decidi expor um desses momentos inéditos e raros em minha vida, que poucos souberam. Não para falar mal do estabelecimento, mas para suscitar em todos nós a reflexão. O que podemos fazer para mudar? Como cada um pode contribuir para facilitar o direito de ir e vir de todas as pessoas independente de deficiência? Será que valeria a pena investir em piso tátil? Investir em treinamento dos funcionários?
Decidi contar isso também porque ouvi, há duas semanas, que uma cega do RJ queria bater perna no shopping e o segurança não quis acompanhá-la. Então pensei: e se eu quiser fazer o mesmo, tenho que depender de quem enxerga? E se a pessoa não quiser ir eu tenho que deixar de ir?
O fato aconteceu no ano passado, em um shopping de Maceió. Era dia dos namorados. Meu plano: chegar mais cedo, passar em duas lojas e depois encontrar meu esposo na praça de alimentação. Eu tinha a intenção de comprar uns mimos para fazer uma surpresa para ele. Mas acredite: quem ficou surpresa fui eu, ao constatar o despreparo dos funcionários na hora que viram uma cega lá sozinha precisando ir em três locais. De nada adiantou eu falar que já havia feito isso antes, em outros shoppings da cidade. A saga foi assim:
1. O taxista que me deixou no shopping pediu para que algum segurança me levasse na loja 1 e ele não deu a mínima importância. Olha que a loja 1 era no mesmo piso! Indignado, o taxista me deixou lá.
2. Ao fazer a primeira compra, pedi a funcionária da loja para me conduzir à saída e chamar um segurança. Procedimento que sempre fiz e deu certo em outros shoppings. Porém, o segurança do local me explicou que não poderia me levar na loja 2, eu teria que ir ao SAC solicitar o auxílio de atendimento especial. A mesma funcionária me levou até lá.
3. No SAC, expliquei que precisava ir em uma loja e na praça de alimentação, bastava designar um funcionário para me auxiliar. Que eu já havia feito isso antes em outros shoppings e nunca tive problema! Nem sequer precisei ir a ao SAC. Ligaram pra um e pra outro, mas ninguém estava disponível. Fui informada que havia apenas um segurança por piso e que ele não podia sair do local para me levar a pisos superiores nem à escada rolante. Eu me perguntei: será que realmente estamos seguros nesse shopping?
Insisti: E agora, como vamos resolver? Eu vim sozinha e preciso fazer compras. Se o shopping não tem piso tátil, tem a obrigação de fornecer o mínimo de acessibilidade indicando alguém para me auxiliar, concorda? Como vocês fazem quando um cego vem sozinho pra cá?
A única resposta que tive foi para aguardar mais um pouco. Depois de esperar vários minutos, decidi ir embora. Mas então, a moça que havia me levado ao SAC, (eu nem sabia que continuava lá), se ofereceu para me conduzir à loja 2 e à praça de alimentação. A atendente do SAC ainda tentou se desculpar dizendo que não havia funcionários capacitados para atender a minha solicitação. Estava claro que ela não sabia que pra esse tipo de coisa não é preciso capacitação alguma, apenas de um “olho amigo”.
Cinco minutos depois, comprei os produtos que queria e fui encontrar meu esposo. Fiquei indignada, nem tinha mais clima para comemoração!
Após o almoço, Como ir embora?
Decidimos procurar a saída da praça com os nossos próprios ouvidos e bengalas. Nessa hora, Alguns clientes se ofereceram para nos ajudar.
Hoje, mais de um ano após esse lamentável acontecimento, eu me pergunto: quanto cegos foram ao shopping desde aquele dia? Será que já tem mais de um segurança em cada piso? Será que outros cegos que passaram por situações semelhantes também se manifestaram para que a gerência soubesse que é importante fornecer treinamentos e pensassem na acessibilidade?
Se algo mudou no estabelecimento, só indo pra saber! Desde aquele dia, nunca mais fui lá sozinha. Dou preferência à concorrência, que tem feito um trabalho digno de aplausos. Mas tenho consciência que será preciso voltar e ver o que acontece.
Nós, pessoas cegas independentes, temos obrigação de esclarecer e lutar para que outros cegos não passem pelos mesmos problemas que nós. Tenho consciência que precisamos vestir a camisa de locais inacessíveis para ensiná-los o que é acessibilidade, mostrar que existe um público consumidor com deficiência e que é preciso enxergá-lo.
Mesmo que mais nenhum cego tenha se aventurado sozinho pelo shopping, isso pode acontecer hoje, amanhã ou depois. E é preciso que as pessoas estejam preparadas para auxiliar todos os consumidores da melhor maneira possível.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Como são seus sonhos?
Nunca vi um assunto que gerasse tanta curiosidade como os sonhos. Certamente, alguma vez na sua vida, você já tentou interpretar o que sonhou na noite anterior. Você já deve ter se divertido ou se surpreendido com algum sonho maluco, que fazia todo o sentido, mas somente enquanto você dormia. Quem nunca pesquisou significados de sonhos, ou considerou que aquele sonho, da noite passada, foi um "aviso"? Quem nunca foi dormir tenso, preocupado com algum problema e, ao acordar no dia seguinte, tinha a solução como em um passe de mágica?
E quando o assunto é sonho, frequentemente alguém me pergunta: "Você sonha? Como são seus sonhos"? Nada melhor do que responder contando um dos mais recentes e engraçados: Eu estava sentada em um banco largo, desconfortável e sem encosto, localizado em um pátio de algum lugar desconhecido. Havia muita gente ao redor. Pelo barulho, quase ensurdecedor, aposto que havia mais de 200 pessoas. Eu utilizava um fone pequeno em apenas um ouvido. De repente, surge um rapaz desconhecido e pergunta: "Quero ver se você adivinha quem sou eu"! Rapidamente aperto um botão no fone e escuto o nome do sujeito. Ao repassar a informação, ele se surpreende: "Como você adivinhou tão rápido e no meio de tanto barulho"? Sem pestanejar, eu lhe digo: "É um aplicativo que instalei no meu iphone".
Em sonhos como esses, nos quais eu sou cega, minhas referências dos ambientes e das pessoas são as mesmas do mundo real: utilizo a audição, o tato, o olfato. Os sentimentos e sensações são os mesmos, com a diferença que eu consigo correr sem nenhum medo de cair e sou capaz até de voar! Também já sonhei despencando de um prédio bem alto, sorte que eu acordei bem na hora da queda e descobri que era só um sonho. Quem nunca passou por isso? Em outros, eu consigo enxergar perfeitamente. Vejo as pessoas, as cores e tudo o que não vejo quando estou acordada. Mas, ao abrir os olhos no dia seguinte, não consigo descrever as imagens que vi de olhos fechados. Só sei que as vi! É, realmente, algo inexplicável e contraditório. Igualzinho a maioria dos nossos sonhos.
Gostaria de enfatizar que outras pessoas cegas de nascença ou que perderam a visão podem ter experiências diferentes acerca dos sonhos. Caso algum leitor deficiente visual queira narrar as suas, fique à vontade para postar nos comentários.
E quando o assunto é sonho, frequentemente alguém me pergunta: "Você sonha? Como são seus sonhos"? Nada melhor do que responder contando um dos mais recentes e engraçados: Eu estava sentada em um banco largo, desconfortável e sem encosto, localizado em um pátio de algum lugar desconhecido. Havia muita gente ao redor. Pelo barulho, quase ensurdecedor, aposto que havia mais de 200 pessoas. Eu utilizava um fone pequeno em apenas um ouvido. De repente, surge um rapaz desconhecido e pergunta: "Quero ver se você adivinha quem sou eu"! Rapidamente aperto um botão no fone e escuto o nome do sujeito. Ao repassar a informação, ele se surpreende: "Como você adivinhou tão rápido e no meio de tanto barulho"? Sem pestanejar, eu lhe digo: "É um aplicativo que instalei no meu iphone".
Em sonhos como esses, nos quais eu sou cega, minhas referências dos ambientes e das pessoas são as mesmas do mundo real: utilizo a audição, o tato, o olfato. Os sentimentos e sensações são os mesmos, com a diferença que eu consigo correr sem nenhum medo de cair e sou capaz até de voar! Também já sonhei despencando de um prédio bem alto, sorte que eu acordei bem na hora da queda e descobri que era só um sonho. Quem nunca passou por isso? Em outros, eu consigo enxergar perfeitamente. Vejo as pessoas, as cores e tudo o que não vejo quando estou acordada. Mas, ao abrir os olhos no dia seguinte, não consigo descrever as imagens que vi de olhos fechados. Só sei que as vi! É, realmente, algo inexplicável e contraditório. Igualzinho a maioria dos nossos sonhos.
Gostaria de enfatizar que outras pessoas cegas de nascença ou que perderam a visão podem ter experiências diferentes acerca dos sonhos. Caso algum leitor deficiente visual queira narrar as suas, fique à vontade para postar nos comentários.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Diga-me o teu nome e eu saberei quem és.
Desde a infância, minha audição era estimulada com brinquedos que faziam barulho ou bonecas falantes. Pouco a pouco, as "vozes dos brinquedos" foram substituídas pelas vozes das pessoas e foi assim que passei a reconhecer meus familiares e parentes.
Na fase escolar, mais vozes eram acrescentadas à minha mente: agudas, graves, altas ou baixas; cada uma com sua peculiaridade e tão única como uma impressão digital. Naturalmente, se formava um verdadeiro "Catálogo vocal", cujo objetivo era armazenar as vozes dos colegas de classe, professores e demais funcionários. Lembro de como todos ficavam felizes quando eu conseguia identificá-los pela voz! Durante o período acadêmico, o número de vozes triplicou. Era impossível memorizar todas! Então meu "catálogo vocal" ficou restrito ao grupo de amigos mais próximos e a alguns professores (os mais falantes, é claro!).
Hoje então, nem se fala! Com a quantidade de pessoas que encontro todos os dias, nem sempre vou identificar todo mundo apenas pela voz. Sabe quando você vai ao shopping e encontra aquele rosto conhecido, mas não consegue se lembrar de quem é? O mesmo pode acontecer comigo em relação à sua voz.
Uma cantora deficiente visual já dizia: "se quiser que eu te reconheça então me diga teu nome". Esta é realmente uma prática infalível porque pode evitar situações bem comuns do tipo : 1º. A pessoa conversar comigo, esquecer de se identificar e eu ficar me perguntando: "com quem será que eu conversei naquela hora?" 2º. Alguém começa a conversar e eu pergunto: "Mas, me diz: Qual o seu nome?" E a pessoa com tom triste / surpreso / indignado na voz: "Não acredito que você não me reconhece pela voz!" Isso merece aquele sorrisinho característico e a frase mais utilizada da década: "pois é... são tantas vozes que é difícil adivinhar!" 3º. Tem também uma situação clássica. Imagine a cena: estou caminhando com alguém ao lado, quando outra pessoa passa correndo por mim e diz: "Fabrícia!" eu respondo um "oiii!" e o meu acompanhante pergunta: "Quem é esse(a) que falou contigo?" Mas eu não sei dizer porque não reconheci a voz e a pessoa não se identificou.
Essas são apenas algumas das situações recorrentes que já vivenciei. Mas, ao me colocar no lugar do meu interlocutor, penso que talvez ele não ficaria muito feliz se soubesse que quando falou comigo não foi reconhecido. Por isso, fica a dica: Se você quiser que uma pessoa deficiente visual te reconheça, identifique-se.
Para terminar esta postagem com alegria, nada melhor do que ouvir música! Conheça a canção "Pra que", da Sara Bentes, a cantora deficiente visual que falei. Espero que goste!
Na fase escolar, mais vozes eram acrescentadas à minha mente: agudas, graves, altas ou baixas; cada uma com sua peculiaridade e tão única como uma impressão digital. Naturalmente, se formava um verdadeiro "Catálogo vocal", cujo objetivo era armazenar as vozes dos colegas de classe, professores e demais funcionários. Lembro de como todos ficavam felizes quando eu conseguia identificá-los pela voz! Durante o período acadêmico, o número de vozes triplicou. Era impossível memorizar todas! Então meu "catálogo vocal" ficou restrito ao grupo de amigos mais próximos e a alguns professores (os mais falantes, é claro!).
Hoje então, nem se fala! Com a quantidade de pessoas que encontro todos os dias, nem sempre vou identificar todo mundo apenas pela voz. Sabe quando você vai ao shopping e encontra aquele rosto conhecido, mas não consegue se lembrar de quem é? O mesmo pode acontecer comigo em relação à sua voz.
Uma cantora deficiente visual já dizia: "se quiser que eu te reconheça então me diga teu nome". Esta é realmente uma prática infalível porque pode evitar situações bem comuns do tipo : 1º. A pessoa conversar comigo, esquecer de se identificar e eu ficar me perguntando: "com quem será que eu conversei naquela hora?" 2º. Alguém começa a conversar e eu pergunto: "Mas, me diz: Qual o seu nome?" E a pessoa com tom triste / surpreso / indignado na voz: "Não acredito que você não me reconhece pela voz!" Isso merece aquele sorrisinho característico e a frase mais utilizada da década: "pois é... são tantas vozes que é difícil adivinhar!" 3º. Tem também uma situação clássica. Imagine a cena: estou caminhando com alguém ao lado, quando outra pessoa passa correndo por mim e diz: "Fabrícia!" eu respondo um "oiii!" e o meu acompanhante pergunta: "Quem é esse(a) que falou contigo?" Mas eu não sei dizer porque não reconheci a voz e a pessoa não se identificou.
Essas são apenas algumas das situações recorrentes que já vivenciei. Mas, ao me colocar no lugar do meu interlocutor, penso que talvez ele não ficaria muito feliz se soubesse que quando falou comigo não foi reconhecido. Por isso, fica a dica: Se você quiser que uma pessoa deficiente visual te reconheça, identifique-se.
Para terminar esta postagem com alegria, nada melhor do que ouvir música! Conheça a canção "Pra que", da Sara Bentes, a cantora deficiente visual que falei. Espero que goste!
sábado, 21 de setembro de 2013
Dependência Visual
Sabe aquele ditado que diz: "Em terra de cego, quem tem um olho é rei"? Eu diria: "em terra de apagão, quem é cego, enxerga!"
Era noite. Eu aproveitava os 30 segundos antes do jantar para visualizar os e-mails mais recentes. De longe, podia ouvir o barulho do televisor, que parecia fazer mais barulho do que toda a família junta! Foi aí que a TV desligou sozinha e a internet foi desconectada. Não, não era coisa do além! Foi apenas uma queda de energia.
Saí tranquilamente para jantar, torcendo para que o apagão não durasse muitas horas! Afinal eu ainda queria navegar na internet antes de ir dormir. Ao mesmo tempo, algumas pessoas da família começaram a acender vela por tudo quanto era lugar da casa. Cenário típico de um ambiente que fica às escuras, ainda mais durante a noite. Cinco minutos depois, a energia retornou e a alegria foi geral! Até parecia que alguém havia ganho na loteria.
Acontecimentos como esses me fazem pensar na reação das pessoas quando se deparam com a ausência de luz. O que acontece na maioria dos lares é que todos querem iluminar o local o mais depressa possível, mesmo que seja com luzes de velas. Isso porque as pessoas que enxergam não estão acostumadas com a escuridão. Fico imaginando a sensação que elas têm ao olhar para frente e não ver um palmo diante do nariz, a sensação de insegurança ao andar com medo de cair no primeiro degrau que aparecer... Na hora do apagão, elas esquecem dos outros sentidos e sentem a necessidade da visão, quase como uma dependência visual.
Quando criança, lembro que enquanto minhas irmãs ficavam com medo do escuro e mal conseguiam sair da sala para o quarto, eu me exibia correndo pela casa pegando algum objeto que elas precisassem ou guiando-as pelos ambientes. Sim, com luz ou sem luz eu enxergo muito bem!
E você, qual a sua experiência no apagão? É independente, como eu, ou tem dependência visual? Se for dependente, talvez seja a hora de se livrar disso. Afinal toda dependência tem seu lado negativo e quanto mais você puder ser independente, melhor, não é?
Faça a experiência! Tente se adaptar aos poucos, aproveite que você ainda enxerga. Lembre que você não vive apenas com a visão, embora ela seja um aspecto importante da sua vida. O que importa de verdade é trabalhar, o quanto antes, todos os seus sentidos para que nenhum fique sobrecarregado.
Era noite. Eu aproveitava os 30 segundos antes do jantar para visualizar os e-mails mais recentes. De longe, podia ouvir o barulho do televisor, que parecia fazer mais barulho do que toda a família junta! Foi aí que a TV desligou sozinha e a internet foi desconectada. Não, não era coisa do além! Foi apenas uma queda de energia.
Saí tranquilamente para jantar, torcendo para que o apagão não durasse muitas horas! Afinal eu ainda queria navegar na internet antes de ir dormir. Ao mesmo tempo, algumas pessoas da família começaram a acender vela por tudo quanto era lugar da casa. Cenário típico de um ambiente que fica às escuras, ainda mais durante a noite. Cinco minutos depois, a energia retornou e a alegria foi geral! Até parecia que alguém havia ganho na loteria.
Acontecimentos como esses me fazem pensar na reação das pessoas quando se deparam com a ausência de luz. O que acontece na maioria dos lares é que todos querem iluminar o local o mais depressa possível, mesmo que seja com luzes de velas. Isso porque as pessoas que enxergam não estão acostumadas com a escuridão. Fico imaginando a sensação que elas têm ao olhar para frente e não ver um palmo diante do nariz, a sensação de insegurança ao andar com medo de cair no primeiro degrau que aparecer... Na hora do apagão, elas esquecem dos outros sentidos e sentem a necessidade da visão, quase como uma dependência visual.
Quando criança, lembro que enquanto minhas irmãs ficavam com medo do escuro e mal conseguiam sair da sala para o quarto, eu me exibia correndo pela casa pegando algum objeto que elas precisassem ou guiando-as pelos ambientes. Sim, com luz ou sem luz eu enxergo muito bem!
E você, qual a sua experiência no apagão? É independente, como eu, ou tem dependência visual? Se for dependente, talvez seja a hora de se livrar disso. Afinal toda dependência tem seu lado negativo e quanto mais você puder ser independente, melhor, não é?
Faça a experiência! Tente se adaptar aos poucos, aproveite que você ainda enxerga. Lembre que você não vive apenas com a visão, embora ela seja um aspecto importante da sua vida. O que importa de verdade é trabalhar, o quanto antes, todos os seus sentidos para que nenhum fique sobrecarregado.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Divulgando: minha participação no programa Ponto de Vista, da TV Assembleia.
Olá pessoal!
Na Penúltima semana de Agosto, o jornalista e radialista Waldemir Rodrigues entrou em contato comigo pelo Facebook. Ele apresenta o programa Ponto de Vista, exibido na TV Assembleia (canal fechado da Net em Alagoas) e me
convidou a participar como entrevistada. Com prazer, aceitei o convite e o resultado foi quase uma hora de conversa sobre minha história de vida, incluindo trajetória escolar, acadêmica e profissional. Falamos de tudo!
Nos dias da exibição na TV, alguns amigos que residem em Maceió puderam assistir. Mas agora chegou o momento de compartilhar a entrevista também na internet! Então, se você ainda não viu ou quiser rever, é só acionar o play!
Parte 1:
parte 2:
Parte 3:
Parte 4.
Nos dias da exibição na TV, alguns amigos que residem em Maceió puderam assistir. Mas agora chegou o momento de compartilhar a entrevista também na internet! Então, se você ainda não viu ou quiser rever, é só acionar o play!
Parte 1:
parte 2:
Parte 3:
Parte 4.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
"O que é ser cega?"
No ano passado, eu conheci uma garotinha com aproximadamente 10 anos. Cheia de vida, alegre e muito tagarela, ela percebeu que eu não enxergo e começamos a conversar. Com a inocência e a curiosidade inerentes às crianças, ela me fazia uma série de perguntas: "Você toma banho sozinha"? "Como você estuda"? "Todo mundo na sua casa é cego"? Eu respondia a tudo sem pestanejar, afinal eram questionamentos que outras crianças já haviam feito antes. Foi aí que de repente ela me surpreendeu e perguntou: "O que é ser cega"?
Durante alguns segundos, fiquei sem saber o que responder. Eu pensei: uau! Que pergunta difícil! Daria para dizer tanta coisa! Imaginei uma palestra, onde eu mostrasse o que era ser cega no século passado, o que é ser cega hoje, as dificuldades de uma pessoa que perde a visão, o processo de reabilitação... Mas, é claro que eu não iria dizer tudo isso a uma criança de 10 anos! Então, parti para a ação.
Pedi que a garota segurasse a minha mão e fechasse os olhos. Em seguida, comecei a explicar: "Ser cega é assim. É como se você vivesse de olhos fechados. Há pessoas que ainda enxergam um pouquinho, então é como se elas vivessem de olhos entreabertos. No começo você pode até ter medo de ficar no escuro, mas depois você vai se acostumando e vai descobrindo que o escuro não é tão ruim assim. Além disso, existem muitas pessoas boas que quando você precisar, vão te ajudar e te falar tudo que elas estão vendo, para que você possa ver com os ouvidos, as mãos, o nariz..."
Satisfeita com a resposta, ela continuou fazendo outras perguntas! Dava para perceber o quanto ela estava interessada em saber mais. Naquele dia ela aprendeu sobre o que é ser cega e eu aprendi uma forma lúdica de apresentar a deficiência visual.
Cada um de nós tem a missão de ensinar nossas crianças a respeitar as diferenças, principalmente agora, quando tanto se ouve falar em inclusão e integração social. Avante!
Durante alguns segundos, fiquei sem saber o que responder. Eu pensei: uau! Que pergunta difícil! Daria para dizer tanta coisa! Imaginei uma palestra, onde eu mostrasse o que era ser cega no século passado, o que é ser cega hoje, as dificuldades de uma pessoa que perde a visão, o processo de reabilitação... Mas, é claro que eu não iria dizer tudo isso a uma criança de 10 anos! Então, parti para a ação.
Pedi que a garota segurasse a minha mão e fechasse os olhos. Em seguida, comecei a explicar: "Ser cega é assim. É como se você vivesse de olhos fechados. Há pessoas que ainda enxergam um pouquinho, então é como se elas vivessem de olhos entreabertos. No começo você pode até ter medo de ficar no escuro, mas depois você vai se acostumando e vai descobrindo que o escuro não é tão ruim assim. Além disso, existem muitas pessoas boas que quando você precisar, vão te ajudar e te falar tudo que elas estão vendo, para que você possa ver com os ouvidos, as mãos, o nariz..."
Satisfeita com a resposta, ela continuou fazendo outras perguntas! Dava para perceber o quanto ela estava interessada em saber mais. Naquele dia ela aprendeu sobre o que é ser cega e eu aprendi uma forma lúdica de apresentar a deficiência visual.
Cada um de nós tem a missão de ensinar nossas crianças a respeitar as diferenças, principalmente agora, quando tanto se ouve falar em inclusão e integração social. Avante!
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Celulares que falam: meu primeiro contato com um Iphone.
Há alguns anos eu uso celulares que falam. Primeiro tive um e50 da Nokia, depois um 6210 e por último um e5. Cada um melhor que o outro e todos acessíveis. É que eu utilizava o Talks, um programa desenvolvido pela Nuance. Era só instalá-lo no aparelho e ele falava tudo que havia na tela. Então eu poderia fazer ligações pela agenda de contatos, enviar mensagens, usar a internet, "ler" livros.
Porém, no início deste ano fiquei sabendo que a Nokia não iria mais produzir celulares com sistema operacional Symbian. Na prática, deduzi que os celulares que suportam o Talks estariam fadados ao fracasso, uma vez que em pouco tempo eles se tornariam defasados. Então eu tinha três opções: continuar com meu e5 até ele dar o último adeus, partir para um celular com sistema Android, que também possue recursos de acessibilidade, ou migrar para um Iphone. Após muitas pesquisas, escolhi a terceira opção e caí de cabeça no desafio de utilizar um aparelho touchscreen, que todos diziam ser 100% acessível e, claro, com uma voz muito mais bonita que a do Talks. Assim como outros produtos Apple, ele já possue um leitor instalado denominado Voice Over.
No primeiro dia, veio o arrependimento. Eu não conseguia executar os gestos direito, queria aprender tudo que fazia no outro aparelho e o Iphone não ajudava. Eu escrevia uma mensagem e as letras embaralhavam, tentava entrar em qualquer aplicativo e nem sempre conseguia. Então, eu pensava: "Não deveria ter trocado de chip... agora sou 'obrigada' a continuar com esse aparelho. E se eu não me adaptar?"
Foi aí que veio a primeira constatação: se é preciso fazer uma mudança, que ela seja feita de uma vez por todas! Prender-se aos velhos hábitos pode dificultar ainda mais a adaptação.
No segundo dia, coloquei o celular na viva-voz mas não soube tirar e também não consegui fazer uma simples ligação usando o teclado do aparelho. Por outro lado, o recurso por voz foi a salvação da pátria naquele dia! Apertei no botão e falei: "Ligar para táxi" e ele fez a ligação para uma empresa de táxi que eu tinha armazenada nos meus contatos. Ufa! Pelo menos isso eu consegui fazer!
Eis outra constatação: Sempre existe um novo jeito de resolver um problema. É só parar e refletir um pouco que a solução aparece.
Faz uma semana que estou utilizando este aparelho e já me sinto 80% adaptada, se é que podemos dizer assim! O Iphone é muito mais do que eu poderia esperar e posso dizer que foi uma das melhores aquisições que já fiz. Além de possibilitar que eu efetue ligações, envie sms, esteja conectada o tempo inteiro nas redes sociais, ele ainda permite que eu veja os mapas de forma bem acessível e utilize o GPS para traçar rotas. O Voice Over fala as ruas por onde estou passando! Além disso, ainda posso instalar aplicativos fantásticos como o identificador de cédulas de real, o incrível identificador de cores de objetos, o excelente aplicativo para ouvir Podcasts. Tudo isso sem esquecer da câmera que autofocaliza e ainda me diz: "um rosto centralizado" e aí eu posso bater a foto!
Em fim, o céu é o limite! Só posso constatar que nos dias atuais, em meio a tantos recursos tecnológicos, ser deficiente visual não é mais tão difícil como antes, mesmo para quem não tem um Iphone. Tudo isso graças a empresas que pensam em acessibilidade!
Para saber mais sobre o uso de Iphone e outros produtos Apple por pessoas cegas, acesse: Dicas Apple
Já se quiser conhecer mais sobre como elas podem utilizar celulares com sistema Android, visite
Talk Droid
Porém, no início deste ano fiquei sabendo que a Nokia não iria mais produzir celulares com sistema operacional Symbian. Na prática, deduzi que os celulares que suportam o Talks estariam fadados ao fracasso, uma vez que em pouco tempo eles se tornariam defasados. Então eu tinha três opções: continuar com meu e5 até ele dar o último adeus, partir para um celular com sistema Android, que também possue recursos de acessibilidade, ou migrar para um Iphone. Após muitas pesquisas, escolhi a terceira opção e caí de cabeça no desafio de utilizar um aparelho touchscreen, que todos diziam ser 100% acessível e, claro, com uma voz muito mais bonita que a do Talks. Assim como outros produtos Apple, ele já possue um leitor instalado denominado Voice Over.
No primeiro dia, veio o arrependimento. Eu não conseguia executar os gestos direito, queria aprender tudo que fazia no outro aparelho e o Iphone não ajudava. Eu escrevia uma mensagem e as letras embaralhavam, tentava entrar em qualquer aplicativo e nem sempre conseguia. Então, eu pensava: "Não deveria ter trocado de chip... agora sou 'obrigada' a continuar com esse aparelho. E se eu não me adaptar?"
Foi aí que veio a primeira constatação: se é preciso fazer uma mudança, que ela seja feita de uma vez por todas! Prender-se aos velhos hábitos pode dificultar ainda mais a adaptação.
No segundo dia, coloquei o celular na viva-voz mas não soube tirar e também não consegui fazer uma simples ligação usando o teclado do aparelho. Por outro lado, o recurso por voz foi a salvação da pátria naquele dia! Apertei no botão e falei: "Ligar para táxi" e ele fez a ligação para uma empresa de táxi que eu tinha armazenada nos meus contatos. Ufa! Pelo menos isso eu consegui fazer!
Eis outra constatação: Sempre existe um novo jeito de resolver um problema. É só parar e refletir um pouco que a solução aparece.
Faz uma semana que estou utilizando este aparelho e já me sinto 80% adaptada, se é que podemos dizer assim! O Iphone é muito mais do que eu poderia esperar e posso dizer que foi uma das melhores aquisições que já fiz. Além de possibilitar que eu efetue ligações, envie sms, esteja conectada o tempo inteiro nas redes sociais, ele ainda permite que eu veja os mapas de forma bem acessível e utilize o GPS para traçar rotas. O Voice Over fala as ruas por onde estou passando! Além disso, ainda posso instalar aplicativos fantásticos como o identificador de cédulas de real, o incrível identificador de cores de objetos, o excelente aplicativo para ouvir Podcasts. Tudo isso sem esquecer da câmera que autofocaliza e ainda me diz: "um rosto centralizado" e aí eu posso bater a foto!
Em fim, o céu é o limite! Só posso constatar que nos dias atuais, em meio a tantos recursos tecnológicos, ser deficiente visual não é mais tão difícil como antes, mesmo para quem não tem um Iphone. Tudo isso graças a empresas que pensam em acessibilidade!
Para saber mais sobre o uso de Iphone e outros produtos Apple por pessoas cegas, acesse: Dicas Apple
Já se quiser conhecer mais sobre como elas podem utilizar celulares com sistema Android, visite
Talk Droid
segunda-feira, 8 de julho de 2013
O Legado do MAQ: Quem já conhece, vale a pena ler de novo; quem não conhece, vale a pena conhecer!
Quem me acompanha nas redes sociais já deve ter visto a triste notícia que circulou na semana passada, a respeito da morte de um grande nome da acessibilidade no Brasil: Marco Antônio de Queiroz. O MAQ, como era carinhosamente chamado por seus amigos e conhecidos, era um ser humano incrível que tive o prazer de conhecer. No ano passado, participei de um curso a distância sobre Acessibilidade Web, o qual foi ministrado por ele. Naquela oportunidade, quando pude conversar com ele pela primeira vez, percebi sua humildade e tamanha vontade de compartilhar os seus conhecimentos.
O MAQ perdeu a visão aos 21 anos. Foi assim: Uma noite, ele foi dormir enxergando e acordou cego. Apesar disso, não deixou que a condição de cegueira o privasse de levar uma vida normal. Ao longo de sua trajetória, ele demonstrou que a deficiência era só um detalhe e durante décadas, trabalhou incansavelmente na luta pela causa das pessoas com deficiência. Ele escreveu um livro autobiográfico chamado "Sopro no Corpo: vive-se de sonhos", Clique aqui para ler o prefácio do livro
possui o site Bengala Legal
que existe desde 2000 e é uma rica fonte de conhecimento, aprendeu sobre acessibilidade Web e ministrou cursos, palestras, deu entrevistas pelo Brasil a fora.
Com tudo isso, fiquei imaginando a imensidão de pessoas beneficiadas com seus conhecimentos. Os desenvolvedores de sites, por exemplo, que ao ler os artigos sobre acessibilidade, tornaram seus sites mais acessíveis. As pessoas que perderam a visão na adolescência ou na fase adulta, que apesar de todas as dificuldades iniciais, acreditaram e seguiram adiante após conhecerem a história de vida e de luta do MAQ. Ou ainda os estudantes universitários, que ao falar sobre pessoas com deficiência, inclusão social ou acessibilidade em suas pesquisas acadêmicas, o utilizam como referência.
A passagem do MAQ pela Terra chegou ao fim, mas enquanto houver pessoas se beneficiando das informações transmitidas por ele, seu nome nunca será esquecido!
O MAQ perdeu a visão aos 21 anos. Foi assim: Uma noite, ele foi dormir enxergando e acordou cego. Apesar disso, não deixou que a condição de cegueira o privasse de levar uma vida normal. Ao longo de sua trajetória, ele demonstrou que a deficiência era só um detalhe e durante décadas, trabalhou incansavelmente na luta pela causa das pessoas com deficiência. Ele escreveu um livro autobiográfico chamado "Sopro no Corpo: vive-se de sonhos", Clique aqui para ler o prefácio do livro
possui o site Bengala Legal
que existe desde 2000 e é uma rica fonte de conhecimento, aprendeu sobre acessibilidade Web e ministrou cursos, palestras, deu entrevistas pelo Brasil a fora.
Com tudo isso, fiquei imaginando a imensidão de pessoas beneficiadas com seus conhecimentos. Os desenvolvedores de sites, por exemplo, que ao ler os artigos sobre acessibilidade, tornaram seus sites mais acessíveis. As pessoas que perderam a visão na adolescência ou na fase adulta, que apesar de todas as dificuldades iniciais, acreditaram e seguiram adiante após conhecerem a história de vida e de luta do MAQ. Ou ainda os estudantes universitários, que ao falar sobre pessoas com deficiência, inclusão social ou acessibilidade em suas pesquisas acadêmicas, o utilizam como referência.
A passagem do MAQ pela Terra chegou ao fim, mas enquanto houver pessoas se beneficiando das informações transmitidas por ele, seu nome nunca será esquecido!
domingo, 20 de novembro de 2011
Passado, presente, futuro - Inclusão Digital.
Minha experiência é relativamente grande no meio digital, uma vez que desde 1997 utilizo o computador e desde 2002 acesso a Internet. Lembro-me dos meus primeiros passos na rede mundial de computadores. Eu mal sabia acessar um site de busca e o bate-papo. Minha digitação era lenta, passava horas visitando a mesma página e me surpreendia com a interatividade da Internet. Naquela época eu não conhecia nem 10% de tudo o que ela poderia me oferecer. =D. Antes que me perguntem, para digitar não é preciso ter um teclado especial em braille, como muita gente pensa. Basta tomar como referência os pontos em relevo das letras F e J do teclado comum. Apartir delas, com a prática é fácil saber onde cada tecla está localizada.
Na última quarta-feira, foi exibida na TV Gazeta de Alagoas, uma matéria sobre Inclusão Digital de deficientes visuais da qual tive o prazer de participar. Quem me acompanha nas redes sociais já deve ter visto passar o link por lá. Mas, se você ainda não viu, clique, assista e divulgue! Você verá que o mundo digital pode ser um forte aliado do usuário deficiente, seja para o lazer, o estudo ou o trabalho.
Ps.: Usuários deficientes visuais que usam o navegador Firefox: os botões play e pause não estão acessíveis. Utilizem outro navegador.
Veja como funcionam os programas de áudio para pessoas com deficiência visual
Na última quarta-feira, foi exibida na TV Gazeta de Alagoas, uma matéria sobre Inclusão Digital de deficientes visuais da qual tive o prazer de participar. Quem me acompanha nas redes sociais já deve ter visto passar o link por lá. Mas, se você ainda não viu, clique, assista e divulgue! Você verá que o mundo digital pode ser um forte aliado do usuário deficiente, seja para o lazer, o estudo ou o trabalho.
Ps.: Usuários deficientes visuais que usam o navegador Firefox: os botões play e pause não estão acessíveis. Utilizem outro navegador.
Veja como funcionam os programas de áudio para pessoas com deficiência visual
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Quando Você Não Vê
Oi pessoal!
Após um longo período de reflexões, finalizações e retomadas de atividades e projetos, enfim estou de volta. Já estava com saudade de conversar com vocês!.
Gostaria de aproveitar este post de retomada para agradecer a cada um dos leitores pela participação. Obrigada aos que dão aquela passadinha rápida para ler, aos que deixam sua opinião expressa nos comentários, aos que enviam e-mail, enfim: a todos os que aproveitam de alguma forma os conteúdos aqui expostos.
Não imaginava que este espaço tão singelo onde eu exponho um pouco de mim, fosse me propiciar tantos momentos prazerosos e de partilhas.
E falando em partilha, hoje quero compartilhar com vocês um texto que recebi por e-mail. Ao lê-lo, foi impossível não lembrar de todas as pessoas que perderam a visão na adolescência ou na fase adulta.Foi impossível não lembrar da cegueira metafórica do "Ensaio Sobre a Cegueira", livro de José Saramago. Foi impossível não pensar nas dificuldades que quem perde a visão subitamente, passa a enfrentar com esta nova condição. São novos desafios, novas perspectivas.
Mas, se se apaga o sentido visual, saiba que a "visão" do cérebro, da audição, do olfato, do tato e do paladar não se apagam.
Agora, fiquem com este belíssimo texto. Boa leitura!
Após um longo período de reflexões, finalizações e retomadas de atividades e projetos, enfim estou de volta. Já estava com saudade de conversar com vocês!.
Gostaria de aproveitar este post de retomada para agradecer a cada um dos leitores pela participação. Obrigada aos que dão aquela passadinha rápida para ler, aos que deixam sua opinião expressa nos comentários, aos que enviam e-mail, enfim: a todos os que aproveitam de alguma forma os conteúdos aqui expostos.
Não imaginava que este espaço tão singelo onde eu exponho um pouco de mim, fosse me propiciar tantos momentos prazerosos e de partilhas.
E falando em partilha, hoje quero compartilhar com vocês um texto que recebi por e-mail. Ao lê-lo, foi impossível não lembrar de todas as pessoas que perderam a visão na adolescência ou na fase adulta.Foi impossível não lembrar da cegueira metafórica do "Ensaio Sobre a Cegueira", livro de José Saramago. Foi impossível não pensar nas dificuldades que quem perde a visão subitamente, passa a enfrentar com esta nova condição. São novos desafios, novas perspectivas.
Mas, se se apaga o sentido visual, saiba que a "visão" do cérebro, da audição, do olfato, do tato e do paladar não se apagam.
Agora, fiquem com este belíssimo texto. Boa leitura!
Quando você não vê
Paulo Lins
Quando você não vê, as imagens dão lugar a sentimentos que você não percebia antes, pois tudo se passava tão rapidamente, diante de seus olhos, que o essencial ficava esquecido. Experimente parar ao lado de uma cachoeira agora que você não vê, ouça o barulho, você já tinha percebido antes o som da água batendo nas pedras? Majestoso!!!
Aproxime-se, agora, de uma rosa e, se deixe levar pelo perfume que antes era mascarado pela beleza da flor, sei que você já sentiu o perfume de uma flor, mas, sinta que esse perfume, agora é mais insinuante, maravilhoso.
Escute o mar!!! O vai e vem das ondas que chegam na praia, você não pode ver o mar, mas estou certo de que quase pode ver as cristas brancas das ondas sobressaindo no azul profundo do oceano.
Aaa!!! o vento, sei que você nunca viu o vento , mas hoje, que você não vê, ele é mais envolvente e parece te abraçar.
A música, formada por melodia, harmonia e ritmo, a melodia é para a mente, a harmonia, para o espírito e o ritmo é para o corpo, agora que você não vê, nada mudou.
Dizem que os olhos são as janelas da alma, mas as janelas não enxergam, na verdade, o essencial é invisível aos olhos, só se vê com a alma e o coração.
Quantas vezes você fechava os olhos para viver os sentimentos mais profundos??? Uma música, um perfume, me diga que forma tem a saudade, a tristeza, a brisa, um carinho, o amor!!!
Nada se perdeu, ao contrário, ganhamos uma capacidade de ver além das aparências, não podemos ver os rostos das pessoas, mas de alguma maneira, as conhecemos melhor.
Fazemos coisas hoje, inimagináveis para nós antes. Cada passo à frente é uma conquista que merece ser celebrada e, assim, nossa vida é uma constante sucessão de vitórias e, para terminar, como disse o Apóstolo Paulo, em sua carta aos hebreus: "A fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção do que não se vê", Deus, de infinita bondade, nos presenteou com uma porção extra de fé.
terça-feira, 24 de maio de 2011
O BRAILLE E A SEMIÓTICA
Durante quase quatro anos, em paralelo à graduação em jornalismo, desenvolvi quatro pesquisas. Todas foram produzidas sob a orientação de
Madileide de Oliveira Duarte, minha ex-professora no curso de jornalismo, grande amiga e incentivadora.
Para começar a série de divulgação das pesquisas, quero compartilhar com
vocês a monografia Comunicação e Linguagem: Estudo do Sistema Braille à luz da Semiótica.
Leitura recomendada a estudantes de comunicação, de semiótica, estudiosos do sistema
Braille, professores e todas as pessoas que desejarem conhecer a relação entre o braille e a semiótica peirceana.
Resumo da monografia:
O Braille é um sistema de leitura e escrita utilizado principalmente por pessoas cegas. A
semiótica peirceana é a ciência responsável por estudar todos os signos e linguagens. Nesse
sentido, o presente trabalho buscou conhecer de que forma o sistema Braille está inserido no
campo da semiótica. O embasamento teórico da pesquisa se fundamenta em estudiosos dos
campos da comunicação, linguagem, semiótica e em fontes de pesquisa acerca do sistema
Braille.
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação, Sistema Braille, Semiótica peirceana.
LEIA A MONOGRAFIA COMPLETA
PS.: é autorizada a divulgação de todo ou parte do conteúdo deste trabalho, desde que citada a fonte.
Madileide de Oliveira Duarte, minha ex-professora no curso de jornalismo, grande amiga e incentivadora.
Para começar a série de divulgação das pesquisas, quero compartilhar com
vocês a monografia Comunicação e Linguagem: Estudo do Sistema Braille à luz da Semiótica.
Leitura recomendada a estudantes de comunicação, de semiótica, estudiosos do sistema
Braille, professores e todas as pessoas que desejarem conhecer a relação entre o braille e a semiótica peirceana.
Resumo da monografia:
O Braille é um sistema de leitura e escrita utilizado principalmente por pessoas cegas. A
semiótica peirceana é a ciência responsável por estudar todos os signos e linguagens. Nesse
sentido, o presente trabalho buscou conhecer de que forma o sistema Braille está inserido no
campo da semiótica. O embasamento teórico da pesquisa se fundamenta em estudiosos dos
campos da comunicação, linguagem, semiótica e em fontes de pesquisa acerca do sistema
Braille.
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação, Sistema Braille, Semiótica peirceana.
LEIA A MONOGRAFIA COMPLETA
PS.: é autorizada a divulgação de todo ou parte do conteúdo deste trabalho, desde que citada a fonte.
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