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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Diga-me o teu nome e eu saberei quem és.

Desde a infância, minha audição era estimulada com brinquedos que faziam barulho ou bonecas falantes. Pouco a pouco, as "vozes dos brinquedos" foram substituídas pelas vozes das pessoas e foi assim que passei a reconhecer meus familiares e parentes.

Na fase escolar, mais vozes eram acrescentadas à minha mente: agudas, graves, altas ou baixas; cada uma com sua peculiaridade e tão única como uma impressão digital. Naturalmente, se formava um verdadeiro "Catálogo vocal", cujo objetivo era armazenar as vozes dos colegas de classe, professores e demais funcionários. Lembro de como todos ficavam felizes quando eu conseguia identificá-los pela voz! Durante o período acadêmico, o número de vozes triplicou. Era impossível memorizar todas! Então meu "catálogo vocal" ficou restrito ao grupo de amigos mais próximos e a alguns professores (os mais falantes, é claro!).

Hoje então, nem se fala! Com a quantidade de pessoas que encontro todos os dias, nem sempre vou identificar todo mundo apenas pela voz. Sabe quando você vai ao shopping e encontra aquele rosto conhecido, mas não consegue se lembrar de quem é? O mesmo pode acontecer comigo em relação à sua voz.

Uma cantora deficiente visual já dizia: "se quiser que eu te reconheça então me diga teu nome". Esta é realmente uma prática infalível porque pode evitar situações bem comuns do tipo : 1º. A pessoa conversar comigo, esquecer de se identificar e eu ficar me perguntando: "com quem será que eu conversei naquela hora?" 2º. Alguém começa a conversar e eu pergunto: "Mas, me diz: Qual o seu nome?" E a pessoa com tom triste / surpreso / indignado na voz: "Não acredito que você não me reconhece pela voz!" Isso merece aquele sorrisinho característico e a frase mais utilizada da década: "pois é... são tantas vozes que é difícil adivinhar!" 3º. Tem também uma situação clássica. Imagine a cena: estou caminhando com alguém ao lado, quando outra pessoa passa correndo por mim e diz: "Fabrícia!" eu respondo um "oiii!" e o meu acompanhante pergunta: "Quem é esse(a) que falou contigo?" Mas eu não sei dizer porque não reconheci a voz e a pessoa não se identificou.

Essas são apenas algumas das situações recorrentes que já vivenciei. Mas, ao me colocar no lugar do meu interlocutor, penso que talvez ele não ficaria muito feliz se soubesse que quando falou comigo não foi reconhecido. Por isso, fica a dica: Se você quiser que uma pessoa deficiente visual te reconheça, identifique-se.

Para terminar esta postagem com alegria, nada melhor do que ouvir música! Conheça a canção "Pra que", da Sara Bentes, a cantora deficiente visual que falei. Espero que goste!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

CONVITE ESPECIAL PARA VOCÊ! - LANÇAMENTO DE MEU LIVRO NA BIENAL DE 2013!

O lugar é conhecido: Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió/Alagoas. O cenário, não poderia ser mais convidativo: para onde quer que você olhe, verá estandes e mais estandes repletos de livros de tudo quanto é gênero. É um prato cheio para quem gosta de ler e de compartilhar conhecimentos. Mas não é só isso! Ainda tem uma programação extensa de palestras, peças e lançamentos de obras literárias. E aí, já sabe do que estou falando? Se você está pensando na Bienal do Livro, acertou!

Quem acompanha o blog já sabe o quanto eu gosto deste tipo de evento porque já falei sobre isso Aqui

Mas, a 6ª Bienal do Livro será ainda mais especial para mim! Ela marcará o reconhecimento de um trabalho concluído há alguns anos, mas que esperava uma chance de publicação. E essa chance chegou! O livro, escrito por mim e pela Madileide Duarte, foi publicado pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (EDUFAL), e o lançamento acontecerá na Bienal deste ano!

você, é claro, é nosso(a) convidado (a)! Aproveite que será em um fim de semana e compareça! Veja o convite especial que preparamos para você

Portanto, comece a se programar! Dia 26/10, às 19 horas, quero te ver na bienal, viu?! Divulgue para seus familiares, amigos, conhecidos... estão todos convidados também. :) Espero vocês!

A 6ª Bienal Internacional do Livro em Alagoas acontecerá de 25 de Outubro a 3 de Novembro de 2013. Veja todos os detalhes clicando aqui

sábado, 21 de setembro de 2013

Dependência Visual

Sabe aquele ditado que diz: "Em terra de cego, quem tem um olho é rei"? Eu diria: "em terra de apagão, quem é cego, enxerga!"

Era noite. Eu aproveitava os 30 segundos antes do jantar para visualizar os e-mails mais recentes. De longe, podia ouvir o barulho do televisor, que parecia fazer mais barulho do que toda a família junta! Foi aí que a TV desligou sozinha e a internet foi desconectada. Não, não era coisa do além! Foi apenas uma queda de energia.

Saí tranquilamente para jantar, torcendo para que o apagão não durasse muitas horas! Afinal eu ainda queria navegar na internet antes de ir dormir. Ao mesmo tempo, algumas pessoas da família começaram a acender vela por tudo quanto era lugar da casa. Cenário típico de um ambiente que fica às escuras, ainda mais durante a noite. Cinco minutos depois, a energia retornou e a alegria foi geral! Até parecia que alguém havia ganho na loteria.

Acontecimentos como esses me fazem pensar na reação das pessoas quando se deparam com a ausência de luz. O que acontece na maioria dos lares é que todos querem iluminar o local o mais depressa possível, mesmo que seja com luzes de velas. Isso porque as pessoas que enxergam não estão acostumadas com a escuridão. Fico imaginando a sensação que elas têm ao olhar para frente e não ver um palmo diante do nariz, a sensação de insegurança ao andar com medo de cair no primeiro degrau que aparecer... Na hora do apagão, elas esquecem dos outros sentidos e sentem a necessidade da visão, quase como uma dependência visual.

Quando criança, lembro que enquanto minhas irmãs ficavam com medo do escuro e mal conseguiam sair da sala para o quarto, eu me exibia correndo pela casa pegando algum objeto que elas precisassem ou guiando-as pelos ambientes. Sim, com luz ou sem luz eu enxergo muito bem!

E você, qual a sua experiência no apagão? É independente, como eu, ou tem dependência visual? Se for dependente, talvez seja a hora de se livrar disso. Afinal toda dependência tem seu lado negativo e quanto mais você puder ser independente, melhor, não é?

Faça a experiência! Tente se adaptar aos poucos, aproveite que você ainda enxerga. Lembre que você não vive apenas com a visão, embora ela seja um aspecto importante da sua vida. O que importa de verdade é trabalhar, o quanto antes, todos os seus sentidos para que nenhum fique sobrecarregado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Divulgando: minha participação no programa Ponto de Vista, da TV Assembleia.

Olá pessoal! Na Penúltima semana de Agosto, o jornalista e radialista Waldemir Rodrigues entrou em contato comigo pelo Facebook. Ele apresenta o programa Ponto de Vista, exibido na TV Assembleia (canal fechado da Net em Alagoas) e me convidou a participar como entrevistada. Com prazer, aceitei o convite e o resultado foi quase uma hora de conversa sobre minha história de vida, incluindo trajetória escolar, acadêmica e profissional. Falamos de tudo!

Nos dias da exibição na TV, alguns amigos que residem em Maceió puderam assistir. Mas agora chegou o momento de compartilhar a entrevista também na internet! Então, se você ainda não viu ou quiser rever, é só acionar o play!

Parte 1:

parte 2:

Parte 3:

Parte 4.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

"O que é ser cega?"

No ano passado, eu conheci uma garotinha com aproximadamente 10 anos. Cheia de vida, alegre e muito tagarela, ela percebeu que eu não enxergo e começamos a conversar. Com a inocência e a curiosidade inerentes às crianças, ela me fazia uma série de perguntas: "Você toma banho sozinha"? "Como você estuda"? "Todo mundo na sua casa é cego"? Eu respondia a tudo sem pestanejar, afinal eram questionamentos que outras crianças já haviam feito antes. Foi aí que de repente ela me surpreendeu e perguntou: "O que é ser cega"?

Durante alguns segundos, fiquei sem saber o que responder. Eu pensei: uau! Que pergunta difícil! Daria para dizer tanta coisa! Imaginei uma palestra, onde eu mostrasse o que era ser cega no século passado, o que é ser cega hoje, as dificuldades de uma pessoa que perde a visão, o processo de reabilitação... Mas, é claro que eu não iria dizer tudo isso a uma criança de 10 anos! Então, parti para a ação.

Pedi que a garota segurasse a minha mão e fechasse os olhos. Em seguida, comecei a explicar: "Ser cega é assim. É como se você vivesse de olhos fechados. Há pessoas que ainda enxergam um pouquinho, então é como se elas vivessem de olhos entreabertos. No começo você pode até ter medo de ficar no escuro, mas depois você vai se acostumando e vai descobrindo que o escuro não é tão ruim assim. Além disso, existem muitas pessoas boas que quando você precisar, vão te ajudar e te falar tudo que elas estão vendo, para que você possa ver com os ouvidos, as mãos, o nariz..."

Satisfeita com a resposta, ela continuou fazendo outras perguntas! Dava para perceber o quanto ela estava interessada em saber mais. Naquele dia ela aprendeu sobre o que é ser cega e eu aprendi uma forma lúdica de apresentar a deficiência visual.

Cada um de nós tem a missão de ensinar nossas crianças a respeitar as diferenças, principalmente agora, quando tanto se ouve falar em inclusão e integração social. Avante!

domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos Pais - uma homenagem!

No dia 28/01/1987 eu vim ao mundo. Prematura, com 5 meses e 15 dias, muitos pensaram que eu não sobreviveria. Mas bastaram alguns segundos para eu provar que entrei na sua vida para ficar!

Nos primeiros meses, quando eu necessitava de ainda mais cuidados, lá estava você a meu lado, ajudando no que podia. E você podia muito! Foi graças a sua contribuição que eu tive uma qualidade de vida ainda melhor.

No dia em que foi descoberto que eu seria uma pessoa deficiente visual, você teve a serenidade suficiente para entender que a revolta não seria a melhor saída e se empenhou em descobrir alternativas para fazer com que eu pudesse enxergar. Você me levou a alguns dos melhores especialistas do Brasil e do exterior. Como não foi possível reverter o caso, você mudou de tática! Tratou de proporcionar todas as condições materiais para que eu pudesse "driblar" a deficiência. Foi assim que você me ensinou a superar meus próprios limites.

Você me mostrou que os obstáculos existem em todo lugar e começam em casa! Degraus, rampas, escadas, tudo para que eu já começasse a me acostumar com o que encontraria nas ruas. Confesso que os meus primeiros dias na nova casa não foram fáceis! Muitas vezes me perdia, caía nos degraus... mas hoje, mais de duas décadas depois, ando correndo e os obstáculos não existem mais! Sim, você me ensinou a superá-los!

Você também me ensinou a ser ousada, a me aventurar com segurança. Foi com você que aprendi a nadar e hoje não tenho medo das ondas do mar ou de mergulhar em uma piscina. Com você eu também andava de bicicleta. Lembro com saudade daquela boa época, quando você adaptou a sua bicicleta com guiso e eu seguia seu caminho, ouvindo o barulho ou a sua voz dizendo: "venha, venha, venha"... Era muito engraçado! Nesses 26 anos de convivência, muitas coisas boas aconteceram e ainda acontecem. Você é uma pessoa fantástica, alegre, com a qual eu aprendo sempre e muitas vezes serve de exemplo por onde eu passo.

Me orgulho de fazer parte da sua família, de ser a sua primeira filha e de ter a oportunidade de passar mais um dia ao seu lado. Me orgulho de ter um pai que faz tudo o que pode para me ver feliz. Tenho orgulho do profissional que você é e também levo suas lições para o meu campo de atuação, embora sejam ramos diferentes.

Neste dia, em que o Brasil comemora o Dia dos Pais e o mundo comercial comemora as vendas, eu aproveito o pretexto para homenagear-lhe e dizer a todos o quanto você é importante. Tudo que sou e tudo que conquistei até hoje, foi com o seu apoio. Você faz parte de tudo isso!

Muito obrigada por ser o meu pai e por cumprir a sua missão de uma forma tão encantadora! Você sempre será o fofinho, bonitinho e queridinho que morre de saudade de mim todos os dias, não é? :) FELIZ DIA DOS PAIS, Benjamin de Brício Machado de Omena!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Celulares que falam: meu primeiro contato com um Iphone.

Há alguns anos eu uso celulares que falam. Primeiro tive um e50 da Nokia, depois um 6210 e por último um e5. Cada um melhor que o outro e todos acessíveis. É que eu utilizava o Talks, um programa desenvolvido pela Nuance. Era só instalá-lo no aparelho e ele falava tudo que havia na tela. Então eu poderia fazer ligações pela agenda de contatos, enviar mensagens, usar a internet, "ler" livros.

Porém, no início deste ano fiquei sabendo que a Nokia não iria mais produzir celulares com sistema operacional Symbian. Na prática, deduzi que os celulares que suportam o Talks estariam fadados ao fracasso, uma vez que em pouco tempo eles se tornariam defasados. Então eu tinha três opções: continuar com meu e5 até ele dar o último adeus, partir para um celular com sistema Android, que também possue recursos de acessibilidade, ou migrar para um Iphone. Após muitas pesquisas, escolhi a terceira opção e caí de cabeça no desafio de utilizar um aparelho touchscreen, que todos diziam ser 100% acessível e, claro, com uma voz muito mais bonita que a do Talks. Assim como outros produtos Apple, ele já possue um leitor instalado denominado Voice Over.

No primeiro dia, veio o arrependimento. Eu não conseguia executar os gestos direito, queria aprender tudo que fazia no outro aparelho e o Iphone não ajudava. Eu escrevia uma mensagem e as letras embaralhavam, tentava entrar em qualquer aplicativo e nem sempre conseguia. Então, eu pensava: "Não deveria ter trocado de chip... agora sou 'obrigada' a continuar com esse aparelho. E se eu não me adaptar?"

Foi aí que veio a primeira constatação: se é preciso fazer uma mudança, que ela seja feita de uma vez por todas! Prender-se aos velhos hábitos pode dificultar ainda mais a adaptação.

No segundo dia, coloquei o celular na viva-voz mas não soube tirar e também não consegui fazer uma simples ligação usando o teclado do aparelho. Por outro lado, o recurso por voz foi a salvação da pátria naquele dia! Apertei no botão e falei: "Ligar para táxi" e ele fez a ligação para uma empresa de táxi que eu tinha armazenada nos meus contatos. Ufa! Pelo menos isso eu consegui fazer!

Eis outra constatação: Sempre existe um novo jeito de resolver um problema. É só parar e refletir um pouco que a solução aparece.

Faz uma semana que estou utilizando este aparelho e já me sinto 80% adaptada, se é que podemos dizer assim! O Iphone é muito mais do que eu poderia esperar e posso dizer que foi uma das melhores aquisições que já fiz. Além de possibilitar que eu efetue ligações, envie sms, esteja conectada o tempo inteiro nas redes sociais, ele ainda permite que eu veja os mapas de forma bem acessível e utilize o GPS para traçar rotas. O Voice Over fala as ruas por onde estou passando! Além disso, ainda posso instalar aplicativos fantásticos como o identificador de cédulas de real, o incrível identificador de cores de objetos, o excelente aplicativo para ouvir Podcasts. Tudo isso sem esquecer da câmera que autofocaliza e ainda me diz: "um rosto centralizado" e aí eu posso bater a foto!

Em fim, o céu é o limite! Só posso constatar que nos dias atuais, em meio a tantos recursos tecnológicos, ser deficiente visual não é mais tão difícil como antes, mesmo para quem não tem um Iphone. Tudo isso graças a empresas que pensam em acessibilidade!

Para saber mais sobre o uso de Iphone e outros produtos Apple por pessoas cegas, acesse: Dicas Apple
Já se quiser conhecer mais sobre como elas podem utilizar celulares com sistema Android, visite
Talk Droid

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Legado do MAQ: Quem já conhece, vale a pena ler de novo; quem não conhece, vale a pena conhecer!

Quem me acompanha nas redes sociais já deve ter visto a triste notícia que circulou na semana passada, a respeito da morte de um grande nome da acessibilidade no Brasil: Marco Antônio de Queiroz. O MAQ, como era carinhosamente chamado por seus amigos e conhecidos, era um ser humano incrível que tive o prazer de conhecer. No ano passado, participei de um curso a distância sobre Acessibilidade Web, o qual foi ministrado por ele. Naquela oportunidade, quando pude conversar com ele pela primeira vez, percebi sua humildade e tamanha vontade de compartilhar os seus conhecimentos.

O MAQ perdeu a visão aos 21 anos. Foi assim: Uma noite, ele foi dormir enxergando e acordou cego. Apesar disso, não deixou que a condição de cegueira o privasse de levar uma vida normal. Ao longo de sua trajetória, ele demonstrou que a deficiência era só um detalhe e durante décadas, trabalhou incansavelmente na luta pela causa das pessoas com deficiência. Ele escreveu um livro autobiográfico chamado "Sopro no Corpo: vive-se de sonhos", Clique aqui para ler o prefácio do livro
possui o site Bengala Legal
que existe desde 2000 e é uma rica fonte de conhecimento, aprendeu sobre acessibilidade Web e ministrou cursos, palestras, deu entrevistas pelo Brasil a fora.

Com tudo isso, fiquei imaginando a imensidão de pessoas beneficiadas com seus conhecimentos. Os desenvolvedores de sites, por exemplo, que ao ler os artigos sobre acessibilidade, tornaram seus sites mais acessíveis. As pessoas que perderam a visão na adolescência ou na fase adulta, que apesar de todas as dificuldades iniciais, acreditaram e seguiram adiante após conhecerem a história de vida e de luta do MAQ. Ou ainda os estudantes universitários, que ao falar sobre pessoas com deficiência, inclusão social ou acessibilidade em suas pesquisas acadêmicas, o utilizam como referência.

A passagem do MAQ pela Terra chegou ao fim, mas enquanto houver pessoas se beneficiando das informações transmitidas por ele, seu nome nunca será esquecido!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Divulgação - Matéria no Pajuçara Manhã!

Oi gente! Passo aqui rapidinho para avisar a vocês que foi ao ar, no Jornal da Pajuçara Manhã, uma matéria da qual fui personagem.
Clique Aqui para Acessar
Assistam!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Desistir? Por quê?

Tocar instrumento é como aprender idioma. Se não praticar, esquece!

Já faz oito meses que interrompi meus estudos de piano. Foi por uma causa nobre, é verdade. Mas, foi tempo suficiente para fazer um estrago musical e eu esquecer 80% de tudo o que estudei ao longo de toda minha vida de aprendiz de pianista, isto é: pelo menos três anos de estudo ininterrupto.

No dia em que percebi o desastre musical que causei no piano, a vontade foi de desistir desse desafio e partir para outra "brincadeira". Porém, também aprendi que desistir não é a melhor saída, embora seja a mais fácil.

comecei a me fazer um milhão de questionamentos do tipo:
e se eu tivesse desistido quando levei a primeira queda de bicicleta?
Provavelmente não aprenderia a andar e nunca saberia como é boa a sensação de liberdade correr ladeira abaixo sentindo o vento no rosto.
E se eu tivesse desistido de prestar vestibular, quando as maiores dificuldades apareceram?
Provavelmente demoraria muito mais para me tornar uma profissional da área da comunicação, que é o que gosto.
E se eu tivesse desistido de participar da Olimpíada do Conhecimento, no ano passado?
Provavelmente não teria acumulado tantas experiências enriquecedoras, nem muito menos teria conquistado uma medalha.

Não quero dizer que precisamos aceitar tudo o que nos aparece e que sempre sairemos vencedores. Mas, que se a oportunidade surge, não podemos desperdiçá-la na primeira "pedra no caminho" que tropeçarmos.

Todos os dias somos testados pela vida e precisamos dar o melhor de nós em todas as oportunidades possíveis. Porém, mais do que demonstrar a Deus e ao mundo o nosso potencial e garra, precisamos demonstrar a nós mesmos.

Em julho retomarei minhas aulas de piano e em dezembro farei um "concerto virtual" e posto os vídeos aqui no blog. Que tal?

Então, fica a dica: antes de desistir, reflita muito. Pode ser uma grande oportunidade que você está deixando passar!

terça-feira, 5 de março de 2013

Acessibilidade Nas Aulas de Idiomas - Dicas Para Professores.

O post de hoje é dedicado aos professores de idiomas que nunca tiveram contato com alunos deficientes visuais, ou aqueles que estão tendo esse contato pela primeira vez e ficam preocupados porque não sabem como ensinar a esses alunos.

Pré-requisitos: ter interesse e boa vontade de ensinar.

Durante o meu aprendizado de inglês, tive alguns professores excelentes que me motivaram e incentivaram a seguir adiante. Eles sabem o quanto são especiais e o quanto fizeram a diferença na minha vida. Pensando em tudo que eles me ensinaram, resolvi escrever algumas dicas simples, mas que muito contribuiram para que eu tivesse um aprendizado com a maior acessibilidade e qualidade possíveis.

Aprendi esses dias que "empatia" é colocar-se no lugar do outro. Então, antes de prosseguir com a leitura das dicas, pare um pouco e reflita: "E se você fosse cego, como gostaria que fossem suas aulas de idiomas"?

1º. Não torne a deficiência de seu aluno maior do que é. Lembre-se que ele apenas não enxerga. Logo, pode ouvir, falar, interagir com outras pessoas. Então, no primeiro contato com um aluno com deficiência visual, não se acanhe! Dirija-se a ele e pergunte qual a melhor forma de auxiliá-lo na tarefa de aprender o idioma. Demonstre interesse real em ajudar e coloque-se à disposição para esclarecer dúvidas, exatamente como você faz com alunos que enxergam.

2º. Forneça-lhe material acessível. Os deficientes visuais podem aprender utilizando materiais em Braille, digitalizados ou em áudio. Algumas escolas de inglês oferecem livros em Braille. Se esse não for o caso, pense se você pode contribuir digitalizando alguns conteúdos e enviando para ele. Existe ainda o recurso de gravação das aulas, mas só o áudio não é suficiente, porque ele precisa também aprender a escrever.

3º. Ao fazer anotações no quadro, por exemplo, leia em voz alta à medida que escreve. Com isso você estará auxiliando sobremaneira seu aluno, que não precisará perguntar o tempo inteiro: "Professor, o que você está escrevendo aí?". Se for utilizar Slide, você pode entregar-lhe uma cópia da apresentação para que ele possa acompanhar o conteúdo em tempo real.

4º. sempre que julgar necessário, leve objetos para a sala de aula e faça com que ele os reconheça, ou então descreva a finalidade dos mesmos. Essa é uma boa forma de ensinar o que é uma caneta, por exemplo, sem traduzir para o português.

5º. Quando possível, descreva as figuras que você utilizar em sala de aula. Você pode descrevê-las em português ou usar um método que acho ainda mais interessante: fazer com que a turma as descreva. Essa é uma ótima forma de interação e uma boa prática na hora de revisar os conteúdos de roupa, cores, objetos...

6º. Ao utilizar filmes ou outros vídeos com legenda, é importante sentar-se ao lado do aluno para descrever as imagens e ler as legendas em voz baixa.

7º. Ao trabalhar com música, caso o aluno utilize notebook em sala de aula, você pode entregar-lhe (em formato digital) a letra com as lacunas que geralmente você faz para os demais estudantes. As lacunas podem ser representadas por linhas em branco, porque fica mais fácil de o aluno preencher com o que ouvir no áudio.

Provavelmente, algumas dessas dicas servirão para outros tipos de aula, além de idiomas. Hoje em dia, cada vez mais deficientes visuais buscam se qualificar. Portanto, é fundamental o corpo docente saber lidar com isso naturalmente.

COMPARTILHE ESSAS DICAS!

Ps.: Caso você tenha algum tipo de deficiência e queira contribuir com experiências ou dicas que não foram mencionadas aqui, fique à vontade para postar nos comentários!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Boa notícia! SENAI Seleciona pessoas com deficiência para curso de Auxiliar Administrativo.

Já imaginou ter a oportunidade de se qualificar, estagiar em empresas conceituadas do estado e ainda ganhar uma bolsa de estudo? É isso que o SENAI Alagoas está oferecendo aos alagoanos com algum tipo de deficiência física, mental, visual ou auditiva.

Trata-se do curso de Aprendizagem Industrial de Auxiliar Administrativo, do qual 25 vagas são destinadas a pessoas com deficiência que terão a oportunidade de se qualificar e conseguir maiores chances no mercado de trabalho.

São dois anos de duração: o primeiro será de aprendizado teórico, com aulas no SENAI Gustavo Paiva, no Poço. O ano seguinte será de prática profissional nas instituições que compõem o Sistema FIEA: SENAI, SESI, IEL e FIEA. Serão mais de 800 horas de qualificação, divididas em quatro horas diárias, de segunda à sexta-feira. Os candidatos selecionados irão preencher a cota de aprendizes dessas instituições e, durante os dois anos de curso, receberão uma bolsa de estudo mensal no valor de meio salário mínimo, além de vale transporte

Para participar, são pré-requisitos ter idade mínima de 14 anos e ter concluído o 5º ano do Ensino Fundamental (antiga 4ª série).

As inscrições acontecem no setor de Recursos Humanos do Edifício Casa da Indústria Napoleão Barbosa, localizado na Avenida Fernandes Lima, nº 385, Farol. Os interessados deverão entregar a seguinte documentação: Certidão de Nascimento; uma foto 3x4 (recente); Comprovante de Escolaridade; cópia da Identidade, do CPF, do Comprovante de Residência e da Carteira de Trabalho.

Mas atenção! O prazo para inscrições se encerra na sexta-feira, dia 01/03. Por isso, divulgue para o maior número de pessoas que você puder. Quem sabe alguma delas conhece alguém que se tornará um aprendiz e terá a grande chance de se qualificar em 2013!

E você que tem alguma deficiência e ainda está pensando se vale a pena participar, lembre-se: a qualificação é a chave para o sucesso profissional e a inclusão começa em cada um de nós. Portanto, corra e garanta sua vaga!